O governador é a autoridade máxima do estado, responsável por planejar, coordenar e executar políticas públicas que afetam diretamente a vida de milhões de pessoas. É ele quem administra o orçamento estadual, decide onde alocar recursos e comanda áreas essenciais como segurança, educação e saúde. Para quem vive nas favelas e periferias, as decisões que saem do gabinete do governador têm peso dobrado.
A principal atribuição do governador é gerir os recursos do estado. Isso significa definir prioridades: quanto vai para infraestrutura, quanto para programas sociais, quanto para saneamento. Na ponta do lápis, é ele quem bate o martelo sobre onde o dinheiro dos impostos será aplicado.
Além da gestão orçamentária, compete ao governador criar e implementar políticas sociais voltadas às comunidades, como projetos de urbanização, habitação popular e inclusão social. Essas ações, quando efetivas, têm o poder de transformar territórios.
Para as favelas, o governador precisa assegurar direitos básicos que ainda não saíram do papel: saneamento, saúde, educação e transporte de qualidade. É dever do estado garantir que cada morador tenha acesso a esses serviços, independentemente do CEP onde vive.

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades
Na segurança pública, a missão é implementar uma política de segurança cidadã, que proteja os moradores sem violar direitos. Isso inclui respeitar os protocolos da ADPF das Favelas, decisão do Supremo Tribunal Federal que estabelece regras para reduzir a letalidade nas operações policiais em comunidades. O governo anterior, de Cláudio Castro, no entanto, descumpriu reiteradamente essas determinações, mantendo operações com alto número de mortes e sem o uso de câmeras nas viaturas, entre outras violações.
O governador precisa também promover integração social e econômica, abrindo portas para emprego, cultura e geração de renda nas favelas. E deve coordenar ações com prefeituras e governo federal, para que os projetos saiam do papel e cheguem de fato às comunidades.
Nos últimos anos, programas anunciados com grande alarde não se concretizaram. O Cidade Integrada, lançado como grande ação social com promessa de R$500 milhões em reformas, capacitação e saneamento, virou sinônimo de mais operações policiais e quase nenhuma melhoria concreta, como relatam moradores do Jacarezinho e da Muzema.
O Pacto RJ, lançado em 2021, é outro exemplo emblemático. Apresentado como o maior programa de investimentos da história do estado, previa cerca de 800 obras em três anos, com R$17 bilhões em recursos. A realidade: pelo menos 73 obras estão paradas, somando R$2,5 bilhões em investimentos suspensos. São projetos de saneamento, duplicação de rodovias e construção de escolas espalhados por 37 municípios. Entre os casos mais críticos estão a dragagem do Rio Viegas, entre Bangu e Senador Camará, orçada em R$82 milhões, e a construção de uma escola estadual em Guaratiba, cujo terreno está tomado pelo mato.
O Teleférico do Complexo do Alemão, parado desde 2016, também entrou na lista de promessas renovadas a cada ano: 2023, 2024, 2025 e agora 2026. A sensação entre os moradores é de cansaço e descrença.

O papel do governador é claro: transformar o dinheiro dos impostos em serviços que melhorem a vida da população e isso inclui, obrigatoriamente, as favelas. Enquanto os discursos se repetem e as obras não saem do papel, as comunidades seguem esperando por segurança com cidadania, saúde de qualidade e transporte digno. A favela não pode ser só cenário de promessa. Precisa ser prioridade de verdade.
