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Lab Clima e Periferias 3 reúne comunicadores de todo o Brasil para criação de jornal sobre a COP30

Rumo à COP 30, encontro destacou desafios e estratégias de comunicação sobre justiça climática nas periferias

Encontro potente no Lab Clima e Periferias 3 na Casa Voz no Complexo do Alemão crédito: Joice Bento / Voz das Comunidades
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“Um projeto pensado pelos nossos e para os nossos.” A fala de Thayse Nascimento, assistente de comunicação do PerifaConnection, evidencia a importância do Lab Clima e Periferias 3, realizado no último fim de semana de julho, de 25 a 27 de julho. O encontro ofereceu uma trilha formativa para comunicadores periféricos de todas as regiões do Brasil. 

Para Thuane Nascimento, diretora executiva do PerifaConnection, o LAB Clima 3 foi decisivo ao aproximar jovens de periferias, comunidades indígenas e quilombolas em um encontro presencial voltado à construção de estratégias de comunicação. Dessa troca surgiu um jornal impresso educativo, que discute mudanças climáticas e meio ambiente sob a ótica da justiça climática e do enfrentamento ao racismo ambiental.

O evento teve como meta produzir coletivamente uma publicação nacional que desse visibilidade às demandas das juventudes periféricas rumo à COP30. O conteúdo abordou temas como memória e território, cultura, saúde, desastres ambientais e alimentação, refletindo as prioridades definidas pelos próprios participantes.

A iniciativa contou com o Voz das Comunidades, referência em comunicação comunitária no país, Narra, organização atuante em direitos humanos e narrativas periféricas, e o PerifaConnection, que atua como uma plataforma nacional e potencializa vozes negras e periféricas. Essas parcerias foram essenciais para o fortalecimento da proposta final: a criação de um jornal impresso feito por e para as periferias, reunindo diferentes vivências, criatividade e o compromisso com a justiça climática e a comunicação popular e representativa. 

O evento teve início no dia 25 de julho, na Casa Voz Vidigal, com uma mesa de abertura sobre comunicação e justiça climática nos territórios periféricos. O debate contou com a participação de Douglas Cerqueira (NordestEuSou), Samara Oliveira (O Catarinão), Michel Silva (Fala Roça), Jonas Di Andrade (Voz das Comunidades) e Isabelle Venâncio (Perifa Connection), que compartilharam suas experiências e estratégias de comunicação em favelas e periferias, com foco nos jornais comunitários. 

Bate papo no Vidigal com Jonas di Andrade, Douglas Cerqueira, Samara Oliveira, Michel Silva e mediação de Isabelle Venancio. Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades 

Nos dois dias seguintes, o evento foi realizado na Casa Voz Alemão. O segundo dia, 26 de julho, foi dedicado à integração dos participantes, com uma dinâmica imersiva que permitiu que cada pessoa e organização se apresentasse. Durante o dia, grupos, nomeados com termos representativos de territórios periféricos como baixadas, favelas, quebradas e periferias, trabalharam no desenvolvimento de protótipos de jornais rumo à COP30 e em estratégias de apresentação ao público. 

No último dia 27 de julho, surgiu a proposta de criar um jornal com diversos eixos de atuação, voltado para ampliar a colaboração das periferias na agenda global e nos debates da COP30.

Gabriela Conc, diretora executiva do Voz das Comunidades, afirma. “Cada participante se torna um multiplicador em sua comunidade, fortalecendo a comunicação popular com raízes locais e impacto nacional, criando pontes com agendas como a COP30.” 

Patrícia Patrocínio, do Perifa Amazônia, comunicadora e defensora da cultura Hip Hop nas comunidades ribeirinhas da Amazônia e do Pará, compartilhou sua visão sobre o laboratório. “Espero que o jornal se torne um meio de resistência, não apenas para denunciar as injustiças, mas também para afirmar a força das nossas vozes. Que ele ressoe como um grito de poder das periferias do Brasil, evidenciando que estamos conectadas, organizadas e que temos o direito de comunicar o nosso próprio futuro.” 

Em relação à sua realidade na Amazônia, ela destaca. “Aqui, seguimos o tempo inteiro lutando para reafirmar o óbvio: que existimos, que não somos apenas floresta, mas uma diversidade de pessoas, culturas, pensamentos e formas de expressar nossa linguagem.”  

Baiano que mora no Complexo de Amaralina e faz parte do NodestEuSou, Douglas Cerqueira esteve no Rio de Janeiro pela primeira vez através do Lab Clima e Periferias 3. Em diálogo, comentou sobre como a experiência chegou nele. “A troca de experiências com outras periferias de diferentes estados mostrou que, infelizmente, a realidade só muda a comunidade, pois os problemas continuam os mesmos. Eu trouxe na bagagem a vontade de mudar essa situação de qualquer forma, junto com as demais periferias.”  

E finalizou dizendo que “A nossa esperança é que, com o produto final, a situação que vivemos seja vista e, com isso, possamos conquistar melhorias. Da mesma forma que mostraremos nossa realidade atual, esperamos, com alegria, mostrar os resultados das transformações.”