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“Favelas têm alta concentração de casos, então precisamos estar presentes, informando e acolhendo”; dezembro vermelho reforça prevenção ao HIV 

Territórios como Complexo do Alemão e Vila Aliança apresentam maiores indíces, o que acende um alerta

Clínica da Família Zilda Arns intensifica atendimentos e aconselhamento sobre HIV durante a campanha. Foto: Uendell Vinicius/Voz das Comunidades
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O Dezembro Vermelho, campanha nacional promovida pelo Ministério da Saúde, retorna este ano com o objetivo de ampliar a informação, o cuidado e a prevenção sobre o HIV e a Aids em todo o país. A iniciativa busca fortalecer políticas públicas, incentivar o diagnóstico precoce e reforçar que pessoas vivendo com HIV têm tratamento gratuito e acompanhamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). 

No Complexo do Alemão, o tema ganha ainda mais relevância. Regiões periféricas do Rio estão entre os locais com maior concentração de casos, segundo boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde. Para o enfermeiro Anderson Borges, da Clínica da Família Zilda Arns, falar sobre HIV com clareza e acolhimento é fundamental para diminuir desigualdades no acesso à saúde. 

“O Dezembro Vermelho foi instituído para fomentar informações sobre HIV/Aids e facilitar o tratamento de pessoas vivendo com HIV. Assim como existe o Outubro Rosa e o Novembro Azul, a ideia é que, neste mês, consigamos propagar mais informações e ações para a população”, afirma o enfermeiro. 

Profissional de saúde orienta moradores do Alemão sobre prevenção. Foto: Uendell Vinicius/Voz das Comunidades

Como o HIV se manifesta: sintomas que merecem atenção 

O HIV pode se apresentar de diferentes formas porque fragiliza o sistema imunológico, deixando o corpo mais vulnerável a infecções. Muitos sintomas variam de acordo com a doença oportunista instalada, como a tuberculose, que costuma gerar tosse persistente e febre. No entanto, há sinais que aparecem com frequência e devem ser observados: ínguas na virilha (linfadenopatia); diarreia persistente sem causa aparente; perda de peso acentuada; lesões genitais; candidíase de repetição. 

“A sintomatologia depende muito do tipo de infecção oportunista, mas alguns sinais acabam sendo mais frequentes. É importante observar o corpo e procurar atendimento sempre que notar algo fora da rotina”, explica Anderson Borges. 

Como se pega HIV; e como se previne 

A forma mais comum de transmissão do HIV é pelo sexo sem camisinha. Também existe risco em caso de contato com objetos perfurocortantes contaminados. No entanto, hoje existem diversos métodos de prevenção acessíveis e gratuitos no SUS.  

“A principal medida de prevenção é o uso de camisinha, que está disponível em todos os postos de saúde, junto com o gel lubrificante”, destaca o enfermeiro. 

Além disso, ele reforça a importância da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), um comprimido que reduz drasticamente o risco de infecção pelo HIV quando tomado diariamente. 

“A PrEP está disponível nas unidades de saúde. É um comprimido diário que diminui quase a zero o risco de infecção”, conta. 

A PrEP é a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV, um método preventivo que utiliza medicamentos antes da relação sexual para reduzir drasticamente o risco de infecção pelo vírus Foto: Reprodução

A realidade dos números no Rio 

Segundo o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2024, a capital fluminense registrou em 2023 uma taxa de detecção de 25,3 casos de HIV por 100 mil habitantes, mantendo o Rio entre as cidades com índices elevados no país. O levantamento aponta ainda que homens representam cerca de 70% das notificações, com maior concentração nas faixas etárias de 20 a 39 anos, reforçando o padrão já observado nos últimos anos.  

Entre os territórios com maiores índices estão: Jacarezinho, Rocinha, Cidade de Deus, Manguinhos, Vila Aliança e Complexo do Alemão. 

“As favelas têm alta concentração de casos, então precisamos estar presentes, informando, acolhendo e oferecendo acesso. Muitas pessoas só se cuidam quando a informação chega até elas”, conclui o enfermeiro.  

Dentro das favelas, campanhas como esta aproximam moradores da prevenção e do cuidado, fortalecendo o direito à saúde e reduzindo os estigmas que ainda cercam a doença. 

Diferença entre PrEP e PEP 

Aspecto PrEP (Pré-Exposição) PEP (Pós-Exposição) 
Objetivo Prevenir o HIV antes da exposição Bloquear o HIV após uma exposição de risco 
Quando usar Uso contínuo ou programado, antes de relações sexuais Até 72 horas após contato de risco (quanto antes, melhor) 
Duração Uso diário ou sob demanda, conforme indicação médica Tratamento por 28 dias consecutivos 
Indicação Pessoas com risco frequente (ex.: múltiplos parceiros, relações sem preservativo, parceiros soropositivos) Situações pontuais: relação sexual sem camisinha, rompimento do preservativo, violência sexual, acidente ocupacional 
Disponibilidade no SUS Oferecida gratuitamente com acompanhamento médico e exames regulares Disponível em serviços de urgência e hospitais do SUS, também gratuita 
Eficácia  Altamente eficaz quando usada corretamente e de forma contínua Altamente eficaz se iniciada rapidamente após a exposição 

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