Janeiro começou com boas notícias para os moradores do Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro. As obras da nova Clínica da Família, localizada na Estrada do Vidigal, estão a todo vapor na comunidade desde o dia 05 de janeiro, de acordo com informações locais, e o sonho de uma nova unidade de saúde na favela está cada vez mais próximo de se concretizar.
Segundo Mazola Faria, presidente da Associação de Moradores do Vidigal, a construção da clínica representa uma conquista histórica. “A gente está esperando essa Clínica da Família praticamente há 13 anos. Estamos acompanhando de perto”, afirmou. A demanda por uma nova unidade é antiga e urgente.

Em maio de 2024, o Voz das Comunidades já havia pautado a necessidade, destacando a sobrecarga do Centro Municipal de Saúde Rodolpho Perissé, que atendia cerca de 46 mil pessoas — número muito acima da capacidade ideal. Para os moradores, a ausência de uma segunda unidade simbolizava negligência do poder público. Agora, a obra reacende a esperança, mas também gera desconfiança. “Acredito que deve sair, pelo menos em parte, afinal é ano eleitoral. A prefeitura ganhou um prédio praticamente pronto, ficaria difícil não realizar a obra e depois pedir votos”, disse Miriam Esperança, comerciante e moradora do território.
Filha de uma idosa de 82 anos, Monique Marcolino, moradora da Pedrinha, destaca o orgulho que a comunidade sente pelo CMS Rodolpho Perissé, conquistado após mais de 40 anos de luta. “Sempre tive muita assistência lá e sei que os funcionários fazem milagres, mesmo sem estrutura adequada. Eles tiram leite de pedra”, afirmou. Ao falar da nova Clínica da Família, Monique se anima com os serviços que poderão ser oferecidos. “Conversei com uma amiga da Rocinha e lá tem até espaço para crianças autistas. Isso poderia chegar ao Vidigal e garantir mais acolhimento dentro da nossa favela.”

A equipe do Voz das Comunidades entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde para saber a previsão de conclusão das obras. Até o fechamento desta edição, não houve resposta. Ainda assim, Mazola reforça que o mais importante é a continuidade do projeto. “Já vi muitas obras começarem e pararam. Estamos rezando para que isso não aconteça aqui. A comunidade está esperançosa.”


