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Boca Experience: A inspiração e transformação de Daniel Boquinha

Surfista, barista e empreendedor, Boquinha transcende a violência do Vidigal com paixão pelo café e pelo surfe
Surfe e café sempre estão juntos na vida do surfista/ barista Foto: Igor Albuquerque / Voz das Comunidades

Daniel Rodrigues Martins, mais conhecido como Boquinha, é barista*, surfista, tem a sua própria marca de café e ainda é embaixador de uma grande marca de produtos veganos no Brasil. Ele, que é cria do 14 (parte baixa do Vidigal), teve que trabalhar cedo para suprir a ausência do pai,falecido precocemente, para ajudar no sustento da família. Em meio a toda violência que existe dentro da favela, o maior medo de sua mãe era que ele se envolvesse com “coisa errada”. Porém, Boquinha seguiu outro caminho e começou a sua trajetória de trabalho vendendo picolé na praia do Leblon (escondido de sua mãe) e foi ali que teve o primeiro contato com o que, no futuro, iria mudar completamente sua vida.

Aquele menino ainda não sabia, mas aquele primeiro contato com as ondas e com aquela galera do surf, futuramente despertaria duas paixões que caminhariam juntas, realizariam seus sonhos e permitiriam que sonhasse cada vez mais alto. Durante suas vendas parava no Pontal do Leblon, tradicional reduto dos melhores surfistas da cidade (principalmente quando o mar está de ressaca), para ver os caras surfando e ali acabou conhecendo Marcelo Trekinho, que viria a ser seu grande parceiro nas duas coisas que se tornariam suas grandes paixões: Surfe e café.

Com o passar do tempo, e depois de trabalhar em outros locais (supermercado, loja de roupa), surgiu a oportunidade de trabalhar como balconista numa cafeteria e foi nesse momento que as coisas mudaram completamente na sua vida. Com o conhecimento adquirido na cafeteria, Boquinha se tornou barista e começou a ensinar para os amigos – e também parceiros nas ondas – as técnicas de preparo e como reconhecer as características de um bom café, isso acabou se tornando um hábito que se intensificou durante a pandemia de covid-19.

Pandemia:

Com o fechamento do comércio, durante a pandemia de Covid-19, Daniel passou a levar seu café para servir na praia, dentre os amigos que apreciavam seu café havia dois surfistas profissionais, Marcelo Trekinho e Gabriel Pastori (que chegou trazido por Trekinho), que nesse momento já era seu  “Parceiro da Vida”, como ele costuma dizer, desde a época que vendia picolé. Como eles dois tinham grande alcance nas redes sociais, isso trouxe grande visibilidade e possibilitou que fizessem uma campanha de arrecadação de cestas básicas para comunidade.

“Na pandemia eu levava o café para fazer na praia, o (Marcelo) Trekinho e o (Gabriel) Pastori sempre postavam nas redes sociais esse nosso “ritual” e tinha muita visualização. Foi aí que tivemos a ideia de fazer uma campanha para arrecadar as cestas e conseguimos mais de 200 para distribuir no Vidigal”, contou Boquinha.

Traficando emoções nas Maldivas:

Dentre as muitas coisas que conquistou através do café, uma das mais marcantes foi a viagem que fez para as Ilhas Maldivas, em 2021, com Trekinho e Pastori, onde pôde viver experiências incríveis de muita emoção. Essa emoção se tornou ainda mais intensa porque Boquinha havia acabado de perder seu grande amigo de infância, Bruno Ferreira (BL), que foi assassinado durante uma disputa territorial, acontecida no final de 2017, pelo controle da localidade onde viviam (314/ parte baixa da comunidade). Bruno era trabalhador, tinha 33 anos. Ninguém nunca foi preso por esse crime.

“Quando eu cheguei nas Maldivas a emoção bateu forte. Primeiramente por ter automaticamente lembrado do meu grande amigo BL que tinha acabado de ser assassinado. Eu só pensava em como seria se ele estivesse ali naquele lugar maravilhoso comigo. Chorei muito ao refletir sobre a nossa trajetória de vida. Outra forte emoção vivida lá também foi pelo fato de ter levado cinco (5) quilos de café nas capas das minhas pranchas, sem saber que era proibido, e só me avisaram quando cheguei lá (risos)”.

Foto: Igor Albuquerque / Voz das Comunidades

Sonho:

Daniel Boquinha já tem a sua marca de café, o “Café do Boka”, e ainda tem um grande sonho para realizar que é fazer todo o processo de produção de café no morro (plantio, seleção de grãos, torra e comercialização) e para isso usar mão de obra especializada formada na favela. Tornando assim o ato de tomar café numa grande experiência no morro.

“Meu sonho é conseguir parceiros para criar o projeto social “Fábrica de Campeões” e ensinar a galera a trabalhar com o café e também para produzi-lo no morro, para que todos possam viver toda essa experiência aqui mesmo” completou Boquinha.

Barista

O barista é um profissional especializado em preparar e servir bebidas à base de café. Também trabalha criando novas bebidas baseadas em café, utilizando-se de licores, cremes, bebidas alcoólicas, leite, entre outros. 

O termo é de origem italiana e se refere ao responsável por operar uma máquina de café espresso em um cafeteria ou estabelecimentos que sirvam essa bebida.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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