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OPINIÃO – Mulheres negras enfrentam dupla discrimininação na sociedade

Foto: Paula csnz
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O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é uma data que historicamente destaca as conquistas sociais, políticas e culturais das mulheres de forma universal. No entanto, é importante reconhecer que as experiências das mulheres não são uniformes, pois as mulheres negras, em particular, enfrentam desafios únicos e interseccionais devido à ligação entre gênero e raça.

Esses obstáculso permeiam diversas esferas de suas vidas, desde o acesso às oportunidades educacionais e econômicas, até questões de saúde e segurança que são enfrentados dia e noite. Situação essa que ocorre principalmente por mulheres moradoras de áreas periféricas que sofrem com a desigualdade social latente, combinada com a precariedade dos serviços públicos.

Desde o fenômeno histórico da escravidão, as mulheres negras se organizam elaborando estratégias e ferramentas de sobrevivência que reverberam até hoje na forma da organização do movimento feminino negro. Esse, por sua vez, reivindica a igualdade racial e de gênero, por mais representatividade políticas nos cargos de poder e por inclusão de políticas públicas direcionadas e efetivas.

Para além da luta incansável por tantos direitos, é necessário que as mulheres negras se apropriem e não abandonem o Bem-Viver, conceito que se alinha às tradições indígenas, pleiteando outra forma de vida com mais equilíbrio e que reúna práticas e saberes ignorados pelo modelo político dominante. O conceito foi defendido numa carta em 2015, na Marcha das Mulheres Negras, como proposta política que reivindicava o protagonismo, o reconhecimento das mulheres negras e um novo modelo de sociedade.

Apesar do tempo, a pauta do movimento segue com o mesmo propósito coletivo, trabalhando por um pacto civilizatório para uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva, ora com avanços ora com retrocessos.

Novos desafios surgem, novos cenários se configuram, mas com a certeza que ainda há muito trabalho a ser feito para garantir que as mulheres negras sejam respeitadas em suas particularidades e representadas nas decisões políticas e sociais.