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Coletivo de mulheres cria rede de apoio no Alemão

Militância feminista e ações de moradia popular ajudam mães em momentos de vulnerabilidade
Monique Freitas (34), Débora França (40), Andrea Soares (42), Caroline do Valle (25), Camila Santos (36), Lucilene Oliveira (33) são madrinhas no MEAA.
Monique Freitas (34), Débora França (40), Andrea Soares (42), Caroline do Valle (25), Camila Santos (36), Lucilene Oliveira (33) são madrinhas no MEAA.

Foto e arte: Matheus Guimarães e Ana Clara / Voz das Comunidades

Empoderamento feminino e serviços de acolhimento psicológico são, em um breve resumo, o que o coletivo Mulheres Em Ação do Alemão (MEAA) promove através da troca de experiências no Complexo. Camila Santos, de 36 anos, conhecida como Camila Moradia, devido à luta por habitação, está à frente do projeto, que hoje conta com uma rede de mulheres que acompanham mães de outras famílias que estão em momento de vulnerabilidade.

Antes da pandemia, os encontros aconteciam em rodas de conversas e chá da tarde, mensalmente, na quadra do Espaço Cultural Maria Madalena, Grota, trazendo em pauta a militância feminista, ações de moradia popular, entre outros temas. Sempre com a participação de autoridades e especialistas de saúde e causas jurídicas.

Cria do Complexo, Camila conta sobre a necessidade de pensar em políticas públicas de autocuidado para mulheres. Fala também com orgulho sobre o novo espaço conquistado a partir do trabalho de todas que participam voluntariamente do projeto MEAA, que agora estará ainda mais presente na vida das mães da favela.

“A ideia com a nova sede do Mulheres em Ação do Alemão é iniciar as atividades a partir de abril, mas tudo depende das orientações sobre a pandemia. Caiu o número de doações, mas mesmo assim conseguimos tirar do papel muitos projetos, como as aulas de reforço, tão importante na vida dos alunos, que hoje estão sem aulas presenciais”.

O novo espaço conquistado pelo projeto em dezembro de 2020 fica no Morro do Adeus. Professores que fazem parte do grupo e também outros voluntários do MEAA darão aulas de inglês e reforço escolar para crianças da comunidade. Um leilão também está sendo promovido para assegurar as despesas do projeto. A ideia é manter mensalmente a rede de mulheres com uma cesta básica, produtos de higiene, e entre outras demandas específicas, como medicação, gás, leite especial, fralda geriátrica, absorvente e material escolar.

Durante a pandemia, um dos parceiros do Gabinete de Crise (criado no Alemão com o objetivo de informar, orientar e assegurar moradores no início da pandemia), do qual o Mulheres em Ação fez parte, foi o Flamengo, que no final do ano seguiu com uma parceria direta com o MEAA. O recurso do leilão será revertido em alimentos e outras demandas dentro do projeto, como gás, pagamento de contas e medicamentos, conta Camila.

No Mulheres em Ação do Alemão há 10 madrinhas, que acompanham mensalmente 25 famílias, em média, cada uma. Mulheres como Débora Matias de França, de 40 anos. “A vontade de ser alguém e fazer alguma coisa para a favela me trouxe até aqui. Há 10 anos eu aprendi muito com o MEAA, aprendi que a gente tem que lutar pelos nossos direitos, que a gente não pode esperar, e que temos direitos e motivos para cobrar. Aprendi a não ficar só”.



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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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