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Affonso Dalua, referência na fotografia popular, é indicado ao Prêmio PIPA 2026

Com dez anos de pesquisa visual, o artista multilinguagem da Nova Holanda, Maré, já expôs no Museu de Arte do Rio e internacionalmente

Foto: Arquivo Pessoal
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Ser indicado ao Prêmio PIPA, considerado o principal “termômetro” da arte contemporânea no Brasil, costuma ser um divisor de águas na carreira de qualquer artista. Mas se essa valorização vem para quem é cria de favela, o peso é ainda maior. Para Affonso DaLua, fotógrafo e comunicador nascido e criado na Nova Holanda, o reconhecimento vai além do currículo: é a validação de dez anos de um mergulho profundo no “imagético popular” do Conjunto de Favelas da Maré.

Diferente de outros prêmios, no PIPA não há inscrição. O artista é “escolhido” por um comitê de especialistas que monitora quem está produzindo arte de impacto social e político no país. Para Affonso, a notícia carrega a força de quem constrói a própria trajetória a partir do território.

Um dos diversos trabalhos de Affonso DaLua – 2 0 25 – PERFORMANCE BRILHETES DA NH / Foto: Arquivo pessoal

A fotografia como “Tecnologia de Afeto”

Affonso define seu trabalho como uma “tecnologia favelada de afeto”. Ao longo de uma década, ele transformou a câmera em uma ferramenta de resistência para pautar narrativas sobre corpos LGBTQIAPN+ e periféricos, enfrentando fobias e rompendo com a visão estereotipada da favela.

Seu portfólio explode os conceitos da fotografia tradicional. Com cores vibrantes, o uso estratégico do azul e do laranja e intervenções digitais, o artista cria cenas que misturam o real e o onírico, mostrando que a vida favelada é repleta de possibilidades.

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“Minha arte tem um poder de impacto visual tanto no imagético popular das favelas da Maré quanto no mercado da fotografia popular”, destaca o artista.

2023 – FOTOPERFORMANCE – RESIDÊNCIA IMS RIO CORPA FESTA – Foto: Arquivo pessoal

Ocupação do território e reconhecimento global

A trajetória de Affonso é marcada pela ocupação do espaço público. Em 2019, o Projeto EEER realizou performances em pontos historicamente LGBTfóbicos da Maré, afirmando o direito de existência desses corpos no território. Mais recentemente, em 2023, o artista levou a fotografia para as Bandeiras, ressignificando os mantos de torcidas organizadas para transformar as ruas da favela em galerias de arte a céu aberto.

“Hoje a fotografia está para mim como o principal meio de me comunicar artisticamente e de me colocar quanto pessoa pensante de novos caminhos para políticas públicas, para a construção de narrativas que pautem a favela a partir de quem vive nela”, afirma.

Esse trabalho, que pulsa a vivência da Nova Holanda, já atravessou fronteiras:

  • Exposições Internacionais: Já levou sua arte para Hamburgo (Alemanha), Montevidéu (Uruguai) e tem previsão de desembarcar na França em 2025.
  • Grandes Instituições: No Brasil, suas obras já ocuparam espaços como o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu do Amanhã e o Instituto Moreira Salles (IMS).
  • Prêmio Shell: Em 2023, sua pesquisa visual para a ocupação Noite das Estrelas foi indicada ao prestigiado Prêmio Shell de Teatro.

Um legado coletivo

Para Affonso, a indicação ao PIPA não é uma conquista isolada. É um reflexo de uma rede de apoio e referências mareenses, citando nomes como Bira Carvalho (primeiro artista da Maré indicado ao prêmio), Dominick di Calafrio e o coletivo Imagens do Povo.

Como cofundador do Grupo Atiro e articulador da Entidade Maré, Affonso DaLua segue usando a imagem para disputar políticas públicas e garantir que a favela seja pautada por quem nela vive. Estar no radar do PIPA é a prova de que a Maré não é apenas um lugar de passagem, mas um berço tecnológico de arte, memória e resistência.

Conheça outros trabalhos do Affonso DaLua aqui.