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“Essa medalha carrega a favela inteira comigo”: Kamila Camillo recebe Medalha Pedro Ernesto, maior honraria da Câmara Rio

Ativista e fundadora do Instituto Crias do Tijolinho foi homenageada em noite de celebração no Galpão Bela Maré

MEDALHA PEDRO ERNESTO - KAMILA CAMILO FOTOS: UENDELL VINÍCIUS
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O Galpão Bela Maré, espaço de arte e cultura no Complexo da Maré, foi palco de um momento histórico na última terça-feira (15/09). Cercada por familiares, amigos, vizinhos e pelas crianças dos projetos socioambientais que lidera, a fotógrafa, psicóloga e ativista Kamila Camillo recebeu a Medalha de Mérito Pedro Ernesto, maior honraria da Câmara Rio concedida pela vereadora Thais Ferreira.

Nascida e criada na área do Tijolinho, Kamila se tornou nos últimos anos uma das principais vozes do Complexo da Maré. O trabalho dela une fotografia documentária, defesa do meio ambiente e direitos humanos, sempre com o foco voltado para as crianças e jovens do território. A entrega da medalha dentro do próprio Complexo da Maré reforçou a potência da favela como centro produtor de conhecimento, arte e transformação social.

Comovida durante a cerimônia, Kamila fez questão de dividir a conquista com todo o território onde cresceu e com as pessoas que fazem parte da sua história. Ela destacou que o momento representa a ocupação de espaços que historicamente tentaram negar às mulheres faveladas. “Esse momento significa muita coisa. A Medalha Pedro Ernesto leva o meu nome, mas eu não cheguei até aqui sozinha. Ela carrega comigo a minha família, as crianças, as Crias do Tijolinho e tanta gente da Maré que faz parte da minha caminhada. Pra mim, receber uma das maiores honrarias da cidade sendo uma mulher cria da favela é também ocupar um lugar que, durante muito tempo, disseram que não era nosso”, afirmou.

MEDALHA PEDRO ERNESTO - KAMILA CAMILO FOTOS: UENDELL VINÍCIUS

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Ao relembrar o instante em que soube da homenagem, a ativista contou que a notícia trouxe à tona todas as lembranças do seu caminho até ali. Para Kamila, o prêmio não é apenas um marco individual, mas um símbolo coletivo da força das crias do território.

“A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi: ‘caramba, uma cria do Tijolinho vai receber a Medalha Pedro Ernesto!’. Depois veio um filme de toda a minha trajetória. Pensei na menina que cresceu na Maré, na minha família, nas crianças, em cada rua que me formou e em todas as pessoas que caminharam comigo. Foi uma mistura de alegria, emoção e responsabilidade. Porque eu sei que essa medalha tem o meu nome, mas ela não fala só sobre mim. Ela fala sobre o que a favela produz, sobre a nossa potência e sobre o direito das nossas crias de ocuparem todos os lugares. Naquele momento eu pensei: a gente chegou até aqui. E ainda tem muito caminho pela frente”, disse.

Às crianças da Maré

Fundadora do Instituto Crias do Tijolinho, projeto que utiliza arte, educação e sustentabilidade para transformar o cotidiano dos jovens da comunidade, Kamila fez questão de apontar a quem direcionava especialmente a conquista da noite. “Eu dedico esse momento, principalmente, às crianças da Maré. Às Crias do Tijolinho, que todos os dias me lembram por que eu escolhi esse caminho. Dedico à minha família, às pessoas que seguraram a minha mão e a todas que acreditaram em mim quando muita coisa ainda era só sonho”, declarou.

MEDALHA PEDRO ERNESTO - KAMILA CAMILO FOTOS: UENDELL VINÍCIUS

Para a liderança comunitária, a homenagem da Câmara Municipal não representa um ponto final na luta diária, mas sim um impulso renovado para seguir construindo transformações diretamente da favela para a cidade.

“Essa medalha não encerra uma caminhada. Ela me lembra que ainda temos muito para fazer. E eu quero continuar fazendo do lugar de onde eu vim: com os pés na Maré, junto das crianças e acreditando que as crias também podem sonhar, ocupar e transformar a cidade”, concluiu Kamila.