Ir para o conteúdo

Rock in Rio 2026: Moradores de favelas e periferias marcam presença no festival

Espaço Favela recebeu juventude, artistas e mostrou a pluralidade de ritmos criados por quem movimenta a cultura

ROCK IN RIO - 04_09_2026 UENDELL VINÍCIUS FOTOS: UENDELL VINÍCIUS
Juventudes conhece o Rock in Rio pela primeira vez - Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades
Ouça este conteúdo
00:00 00:00
Leitura pronta para iniciar

O Rock in Rio 2026 reuniu gente de várias favelas e comunidades do Rio de Janeiro. Muita dessa gente estava vivendo o festival pela primeira vez, e cada um chegou até ali por um caminho diferente.

Robson Santos é morador de Ramos e nunca tinha ido ao Rock in Rio. Foi especialmente para ver Ivete Sangalo, de quem é fã. “Foi maravilhoso. Ela entregou como sempre”, conta. Mas o momento mais forte veio de uma lembrança de infância. “Na minha infância eu vi meus pais vindo para cá para trabalhar. E hoje eu consegui superar isso. Eu vim aqui para curtir, para ser feliz”, diz Robson, emocionado com a diferença entre o que viveu quando criança e o que vive agora.

Já Gabriel Rodrigues Duarte, de 21 anos, mora na Penha Circular, também foi pela primeira vez. Ele conseguiu o ingresso depois de se inscrever no Jovem Rio, um concurso da prefeitura. Apresentou um projeto sobre melhorar o convívio dos jovens com o bairro e com a sociedade, e ficou em quinto lugar. “Eu ganhei a premiação e tô muito feliz por ter ganhado”, comemora. Ele conta que pretende continuar estudando pelos cursos que a prefeitura oferece, como inglês, informática e eletrônica, para seguir se preparando para o futuro.

Ed Silva tem 18 anos e mora bem perto do Corcovado, “praticamente no quintal de casa”, como ele mesmo brinca. Também foi sua primeira vez no festival, e ele aproveitou de tudo um pouco, sem artista preferido definido. Os shows que mais marcaram foram os de Dennis DJ, Tanques e Iza. Sobre o Palco Favela, foi direto: “Ótimo, muito bonito.” E completou que aquele era um sonho de infância que finalmente se realizou, depois de ganhar dois convites em uma promoção da operadora de celular TIM.

Caroline Lima, de 36 anos, veio da Pavuna para curtir seu primeiro Rock in Rio. Mesmo com a chuva atrapalhando um pouco, ela aprovou cada detalhe do Palco Favela, principalmente a decoração inspirada nas casinhas de comunidade. “Foi o melhor palco, as casinhas, muito bonitinhas”, contou. Para ela, estar ali representa muita coisa.

Palco Favela ficou tomado

Essas quatro histórias mostram um pouco do que foi o Espaço Favela ao longo dos sete dias de Rock in Rio 2026. O palco reuniu funk, rap, trap, pagode e samba, além de intervenções culturais como o Oz Crias e o Baile Charme entre um show e outro. Puterrier viralizou nas redes ao colocar K-pop no meio do repertório. Hitmaker chamou Melody para dividir o palco, Major RD estreou sua banda com a participação de Slipmami, e Budah representou a força do rap feminino. Priscila Senna levou a cultura de Pernambuco para dentro do festival, mostrando a diversidade regional da música brasileira.

Belo, que é embaixador do Espaço Favela, levou ao palco 10 participantes do reality show Estrela da Casa e puxou uma multidão para o seu show. Já no último dia do festival, Dennis recebeu o Coral das Quebradas e sua filha, Tilla, em uma apresentação que misturou música e família.

Nem tudo foi só aplauso. Uma fala de MC Cabelinho, dizendo que merecia se apresentar no Palco Mundo, repercutiu nas redes sociais, gerando debate sobre o respeito aos palcos dedicados à cultura das periferias.

Mesmo com essa polêmica, o que ficou da semana foi o que Robson, Gabriel, Ed e Caroline levaram para casa: a sensação de ocupar, pela primeira vez, um espaço pensado para gente como eles, dentro de um dos maiores festivais de música do mundo.

Eleições 2026: tudo o que você precisa saber antes de votar. Um guia prático antes das urnas.Acessar a cartilha