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Do Alemão para os palcos: 15 anos depois, Diego Mister M escreve nova história

Após cumprir pena, ele reconstruiu sua trajetória com arte, esporte e educação. Hoje, é ator, estudante de artes cênicas e referência para jovens do Complexo do Alemão

Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades
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O Voz das Comunidades completou 20 anos. Esta é uma matéria especial com um morador de favela que é referência de perseverança 

Há 15 anos, durante a megaoperação no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, que paralisou o território entrou para o noticiário mundial, a vida de muitos moradores nunca mais foi a mesma. Entre eles, a de Diego Mister M, hoje ator e morador da mesma comunidade, mas que se entregou durante a ação policial. O que começou como uma história de dor, se transformou em um relato de renascimento pela arte. 

“Foram 15 anos muito rápidos pra nós que estamos aqui fora. Durante esse tempo, muitas coisas aconteceram na minha vida pessoal e profissional. Assim que saí da prisão, fui direto pro AfroReggae e de lá fiz diversos cursos: de editor de vídeo, fotografia e até virei modelo do selo AR, criado com a Reserva”, relembra Mister M.  

O ator Diego Mister M relembra os 15 anos da Operação do Alemão, em 2010, e celebra a trajetória marcada pela arte e pela superação Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades

O início no AfroReggae foi o primeiro passo para reconstruir sua trajetória. De assistente de câmera no programa Conexões Urbanas, exibido no Multishow, ele passou a enxergar na arte uma nova chance de vida. 

A virada também veio por meio do esporte. “Eu sempre via futebol americano na TV, mas não entendia nada. Um dia, fiz um teste pra entrar no time do Botafogo Mamutes e passei. Depois joguei pelo Flamengo, fui vice-campeão brasileiro e campeão carioca. Esses foram dois dos melhores anos da minha vida”, conta. 

Mas foi nos bastidores da arte que Diego encontrou seu verdadeiro chamado. “O desejo de ser ator surgiu naturalmente, convivendo com o audiovisual. Quando percebi, eu já estava atuando, e isso mudou tudo.” Hoje, aos 40 anos, ele cursa o último período de Artes Cênicas na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e soma trabalhos em séries, filmes e teatro. 

Entre bastidores e câmeras 

Mister M também se tornou consultor técnico em produções de sucesso, como ‘Arcanjo Renegado’ e ‘Veronika’. Sua experiência de vida deu autenticidade a personagens e cenas ambientadas em favelas. “O maior desafio é treinar atores de favela, porque eles já têm uma visão sobre o crime, mas 99% das vezes, ela é errada. Acha que por morar na comunidade já sabe como o bandido age, e não é bem assim. Eu vivi isso. Agora transformo o que vivi em arte, e isso é muito prazeroso.” 

Lições de vida e fé 

Ao lembrar dos anos em que foi alvo de notícias tendenciosas, Diego é sereno: “Mesmo no crime, eu nunca gostei de covardia. Ajudava quem podia, não fazia mal por prazer. A mídia aumenta tudo. Lidar com isso é fácil: é só não responder e deixar Deus e o tempo responderem por você.” 

Olhar para o futuro 

Com o coração voltado para a família e os sonhos em expansão, Diego celebra o presente sem perder o foco. “Não posso parar de trabalhar nem de estudar, porque sei que os jovens da favela me veem como referência. Meu foco agora é o futuro dos meus filhos. Minha filha de 16 anos é atleta de basquete federada… vai representar o Rio em um campeonato nacional. Meu sonho é dar o suporte que ela precisa.” 

Ainda assim, ele sonha alto: “Como ator, quero um dia participar de uma série do 50 Cent. E quero ver meus amigos fora do crime, felizes com suas famílias. Esse é o maior prêmio.” 

Hoje referência para jovens do Complexo do Alemão, Mister M afirma que a arte foi essencial para reconstruir sua autoestima e propósito. Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades

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