A gente sabe o quanto é difícil receber encomendas na porta de casa dentro das favelas. Se uma carta já é difícil, quando a gente compra alguma coisa pela internet, é pior ainda. E muitas das vezes isso acontece porque o “nosso CEP não é reconhecido”. Ainda que as favelas possam contar com o trabalho dos carteiros comunitários, o Vidigal deu um passo importante rumo à inclusão digital e ao reconhecimento formal de suas moradias nos sistemas de endereçamento. Cerca de 30 mil moradores da comunidade agora contam com endereços digitais gerados pela tecnologia Plus Codes, do Google Maps. A iniciativa é resultado da parceria entre a startup naPorta, a Associação de Moradores do Vidigal e a Favela Inc, que se uniram para mapear e instalar placas com os códigos em cada casa, promovendo mais dignidade, acesso e visibilidade para o território.
Os Plus Codes funcionam como códigos postais digitais, convertendo a localização exata de uma casa em coordenadas simples que podem ser compartilhadas em qualquer serviço compatível — como entregas, atendimento médico ou aplicativos de transporte. Para moradores de favelas, onde ruas não têm nome ou numeração, essa tecnologia representa um avanço na garantia de direitos e no acesso a serviços essenciais.


Desde janeiro, o projeto já passou por oito comunidades cariocas, totalizando mais de 11 mil moradias mapeadas. Com a conclusão do trabalho no Vidigal, o impacto do projeto chega a 18 mil lares atendidos no Rio, beneficiando mais de 40 mil pessoas. A naPorta é responsável por toda a operação — da coleta de dados ao treinamento dos mapeadores — e destaca a importância do trabalho comunitário para viabilizar o processo.
A tecnologia dos Plus Codes é aberta e gratuita, e permite que qualquer pessoa, mesmo sem endereço formal, seja localizada com precisão no Google Maps. Isso significa mais acesso, mais segurança e mais dignidade para quem sempre esteve nas margens do mapa oficial — mas nunca deixou de fazer parte da cidade.
