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“Herus vive!”: Morte de jovem durante ação policial no Santo Amaro completa um mês

Caso teve repercussão nacional e foi marcado por atos pedindo justiça pela morte de estudante, que trabalhava e era pai de um menino de dois anos

Mãe do Herus Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades
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Herus Guimarães Mendes, quando pequeno, era aluno de um projeto social no Santo Amaro, praticava de jiu-jítsu, alcançou sua faixa amarela. Cresceu, tornou-se pai de um menino de dois anos, trabalhava como office boy em uma imobiliária e continuava morando no morro, localizado na Zona Sul do Rio. Foi ali, a poucos metros de casa, que ele morreu com 24 anos. 

Herus foi assassinado, atingido por dois tiros no abdômen. Depois, foi arrastado por policiais do local onde o crime aconteceu. Cria do Santo Amaro, participava dos eventos e da rotina da comunidade. No dia 7 de junho, estava na festa junina. As músicas pararam e os tiros começaram, era uma operação do Bope no morro, por volta das três da manhã de sábado. O resultado: cinco pessoas feridas, uma morte de um jovem negro.  

O artista Oruam esteve presente no Santo Amaro e acolheu a mãe de Herus Foto: Uendel Vinicius / Voz das Comunidades

A movimentação pela justiça envolveu toda a comunidade, em um protesto logo após seu enterro. Motos, cartazes, família, amigos e coletivos andaram em apenas uma direção: até o local do crime. Sangue, cápsulas, sapatos e as decorações juninas foram deixados para trás. Em mais um ato de violência, um ex-policial civil tentou interromper “Justiça por Herus”. Atirou pela janela do carro, mas não atingiu ninguém. 

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

O número de vítimas de bala perdida no Rio de Janeiro teve um aumento de 58% em comparação ao mesmo período do começo de 2024, de acordo com o Instituto Fogo Cruzado. Grande parte das vítimas é resultado dos conflitos armados nas operações policiais. São dados que ajudam a mostrar que não se trata de um caso isolado. Nem apenas de mais um número. 

Repercussão e atualização do caso

A repercussão de Herus foi enorme, ganhando as ruas, internet e TV aberta, escancarando a brutalidade e impunidade dos policiais com os moradores de favelas. O governador do Rio declarou que os agentes envolvidos foram afastados. A delegacia de Homicídios da Capital assumiu o caso e está analisando imagens de câmeras corporais dos policiais envolvidos. O Ministério Público do Rio também abriu uma investigação independente para apurar as circunstâncias da operação. O Ministério da Igualdade Racial (MIR) lançou um ofício sobre o caso do Herus, cobrando explicações sobre a operação policial que resultou na morte de Herus. O órgão reforça também agilidade de ações pela proteção da juventude negra. Seus pais levavam seu crachá e fotos a todo momento para alegar que ele é trabalhador. Tentam matar a memória dele, depois de matá-lo. Mas se esqueceram de olhar em volta, nas faixas enormes: “Herus vive!”