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Rio Parada Funk, o maior baile do mundo, leva grande público à Marquês de Sapucaí

Evento ocorreu no último domingo (6) e contou com a participação de vários artistas da cultura de favela
Rio Parada Funk Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades
Rio Parada Funk Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades

Se ganhasse vida, Cristo Redentor viraria de frente para a Marquês de Sapucaí para abençoar a cultura musical mais presente da favela: o funk. O ritmo que nasceu nas comunidades do Rio de Janeiro chegou, mais uma vez, a seu ápice anual no Rio Parada Funk 2022. Em sua 10ª edição, o evento reúne DJs, MCs e um grande público de diferentes épocas e comunidades do Rio de Janeiro.

Ainda que tenha aberto os portões com pouco de atraso, o Rio Parada Funk fundiu o antigo com o novo e uniu todas as idades. Mães, pais, filhos, amigos… Os morros desceram para o asfalto, mas não asfalto comum, mas sim para o asfalto de uma das pistas mais famosas do planeta: Marquês de Sapucaí.

Ao longo dos 700 metros da estrutura a céu aberto, caixas de som faziam o público vibrar com as batidas de diferentes manifestações do mesmo movimento e o volume das batidas não deixou ninguém parado. Prestigiando o evento, o casal Rene Junio, de 40 anos e Suellen Martins, de 33, ambos do Complexo da Penha, estavam presentes no local. “O funk tem uma importância gigante, é cultura da comunidade, que chega aqui e abraça todo mundo”. Suellen complementa. “Funk é potência, assim como a favela é potência. É o funk é exemplo disso. Nasce nas comunidades do Rio de Janeiro e toma o mundo todo.”

Rene Junio e Suellen prestigiram o Rio Parada Funk
(Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades)

O Rio Parada Funk, além dos palcos, teve várias atrações, como espaço de tranças, bares e até um espaço Kids. A criançada pôde se divertir na cama elástica, piscina de bolinhas, touro mecânico e outras atividades. Quem aproveitou bastante foi o Luan Miguel, de 3 anos, filho da Ana Beatriz, de 21. Moradora da Cidade de Deus, Ana Beatriz, trouxe o filho pra mostrar a cultura do funk. “Trouxe ele pra curtir e conhecer mais sobre o nossa cultural musical da favela.”

Luan Miguel adorou os brinquedos do evento e a mãe, Ana Beatriz, estava sempre junto.
(Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades)

Nos bastidores, o clima dos artistas era como se fosse uma confraternização de final de ano. Grandes nomes do funk trocavam ideias, músicas, memórias e muitas risadas. Os Hawaianos, MC Marcinho, Grandmaster Raphael e Velha Guarda do Funk cantavam e trocavam fotos com fãs que aguardavam pela passagem deles no salão dos bastidores. O casal Rosângela Cândido e Fábio dos Santos estavam lá esperando. Moradores da comunidade Mandela, Benfica, Zona Norte do Rio, eles estavam com acesso especial e registraram momentos com artistas que passavam. “Ver os artistas aqui é sensacional! A gente vê eles só pela TV e, quando chega aqui, eles são super acessíveis e conversam muito com a gente. É muito bom!”, avalia Rosângela. “Isso aqui é favela. O funk ganhou o mundo e isso mostra o quanto que a cultura do funk vai longe. A gente tá na Sapucaí!”, vibrou Fábio.

Com acesso especial nos bastidores, o casal conseguiu Fábio e Rosangela conseguiram registrar vários momentos ao lado de grandes artistas do funk. (Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades)

A DJ Germânia, do Morro do Fallet, fez sua estreia no Rio Parada Funk e tocou em um dos palcos que davam acesso para a Praça da Apoteose. “Foi legal demais ver a galera chegando e já ficando. É uma energia muito boa”, contou.

Do Morro do Fallet para a Marquês de Sapucaí, DJ Germania fez o público vibrar na entrada do evento
(Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades)

O Rio Parada Funk se mostra não só como o maior baile funk do mundo. Mostra também o quanto a comunidade curte, dança e faz de toda a cultura musical um grande ícone na representatividade da periferia. Confira fotos do evento:

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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