A criação da Orquestra Maré do Amanhã se deu depois da tragédia que marcou a vida de Carlos Eduardo Prazeres, fundador do projeto. Após perder seu pai, em 1999, ele decidiu transformar sua dor em ação e através da música clássica, ele encontrou um caminho para mudar a realidade de jovens em áreas vulneráveis, como o Complexo de favelas da Maré, atual base do projeto.
Hoje, a Orquestra Maré do Amanhã celebra 15 anos e anunciando um plano de expansão e um foco renovado no vínculo dos alunos de favela. Desde a sua criação, o projeto já impactou a vida de cerca de quatro mil alunos, muitos dos quais conseguiram oportunidades de intercâmbio em universidades estrangeiras, abrindo portas para um futuro promissor.
Ao longo dos anos, a Orquestra Maré do Amanhã se tornou uma referência em inclusão social e formação musical, permitindo que seus alunos mais graduados viajem o mundo, compartilhando sua arte e inspirando outros. Através de parcerias e apoio financeiro, o projeto continua a crescer, oferecendo bolsas e oportunidades de ensino para aqueles que se destacam em suas habilidades musicais.
O impacto positivo do projeto não se limita apenas à música, mas se estende para além dos limites da Maré. Alunos como Debora Choi e Stephany Grativol, que tiveram a chance de viajar pela Europa com a orquestra, puderam ver o mundo de possibilidades além de sua comunidade.

“Ouvi no ano passado de uma menina algo que me tocou profundamente: ‘Quando a gente sai da Maré e vai para a Europa, leva com a gente 140 mil moradores que passam a acreditar que é possível’. Tem gente aqui que nunca foi ao Cristo Redentor, ao Pão de Açúcar. Uma vez, fizemos uma apresentação num quiosque da praia, e uma aluna teve uma crise de choro. Alguns minutos depois, soubemos que foi porque ela nunca tinha visto o mar. Às vezes, existe uma visão que as pessoas das favelas não podem sair de lá. As oportunidades têm que ser iguais. Eles têm que ter as mesmas opções de quem está na Zona Sul”, defende o fundador da Orquestra, de 51 anos.
Desafios diários
E mesmo sendo um projeto consolidado, os músicos da Orquestra atravessam desafios diariamente. Recentemente, eles tiveram seus instrumentos danificados em uma viagem de avião. Os jovens da Maré foram maltratado por funcionários da Latam ao embarcar, do Rio para Brasília.
Mesmo sabendo que violinos e violas são permitidos em cabines pelas companhias aéreas, os músicos foram obrigados, de forma ríspida, a despachar os instrumentos na porta do avião. Quando a coordenadora do grupo tentou argumentar, ouviu como resposta: “Ou despacha, ou não viaja”.
Na chegada à capital federal, o resultado foi o que todos temiam: cases amassadas, rasgadas e uma queixa formal aberta contra a empresa. O grupo viajou para cumprir um convite do Itamaraty.
Reconhecimento e apoio
Os alunos do projeto recebem bolsas e o valor pode subir para aqueles que já desempenham função de orientação. Atualmente, o projeto tem assistência da Lei de Incentivo à Cultura, do governo federal, e da Lei do ISS do Rio de Janeiro, além de ter como patrocinadores as empresas Galp Brasil, State Grid Brazil Holding, Google, Dasa e Assim Saúde.
“Quando os alunos perseveram e chegam à orquestra, que é o braço profissionalizante, eles recebem uma bolsa inicial de R$ 750. Mas o valor pode chegar a R$ 5 mil com as aulas que eles dão”, explica Prazeres, que fala com orgulho de o projeto ter sido reconhecido Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio.
