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O Sol Também Chora: Borges lança novo álbum no Viaduto de Madureira durante audição lotada

Trabalho conta com a colaboração de Emicida, BK, Duquesa; fãs lotaram Madureira na noite da terça-feira (27) para prestigiar a nova fase da carreira do artista

Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades
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“É uma nova fase”. Essa frase dita por Borges antes do lançamento do seu novo álbum marca o momento que o rapper, cria da Pavuna, Rio de Janeiro, está vivendo neste momento de sua carreira. Ele que, em 2021, apareceu em destaque na Times Square (Nova York) após figurar no Top 5 do YouTube Brasil.

O “O Sol Também Chora” foi celebrado antes mesmo de chegar as plataformas digitais. Para apresentar o seu novo trabalho em primeira mão, Borges reuniu na noite de terça-feira (27) milhares de fãs no Viaduto de Madureira, maior centro de resistência da cultura negra e urbana na zona norte do Rio. Durante a audição, o público, que estava eufórico e ansioso para ouvir cada refrão, pôde conferir as 12 faixas, descobrindo a sonoridade de cada música na íntegra.

Antes de lançar oficialmente, Borges comentou sobre como estava o seu coração. “Fico apreensivo, ansioso, mas também com o coração em paz, tá ligado, porque sei que, tipo assim, é permissão de Deus, se for pra andar agora (o álbum) vai andar, senão também… mas vai dar tudo certo.” Foi com esses sentimentos transbordando que o cria subiu no palco junto com um bonde de amigos, fãs e admiradores do seu trabalho.

BG parou para falar e tirar foto com os fãs Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades

Sua maior referência na música

De conhecimento de todos que acompanham a cena do Trap, Rap e Hip-Hop, o álbum conta com a participação de grandes nomes da música brasileira, como Emicida, além de Teto, Ryu The Runner e Duquesa. Mas durante a audição, em cima do Palco, cercado de fãs, Borges não escondeu quem é sua grande referência na música.

Muita gente se inspira em nós e esconde. Prefere ficar de copião na cara dura. Eu não tenho vergonha de dizer, é minha maior inspiração de toda a história do Rap. Eu estudei o Rap inteiro. É esse cara aqui“, se referindo ao rapper BK, por quem tem grande admiração e faz participação na segunda faixa do álbum, chamada Rei da Noite.

BK e BG no palco Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades

Uma Nova Fase na Carreira de Borges

O álbum é apontado como um marco de maturidade para o rapper, refletindo evolução artística e pessoal, fazendo a transição de letras centradas em ostentação para uma visão mais reflexiva e consciente do que enxerga e pensa sobre si mesmo, sobre o mundo e o que o cerca.

Na música Gueto Gospel, ele destaca o seguinte verso no início: “Mulheres e drogas foi minha ficção, eles me amam e me odeiam é a lei do cifrão”. Nesse verso, Borges não só revisita sua trajetória, como também expõe as contradições da fama. Em outras palavras, o artista faz uma crítica a ilusão vivida a partir da fama e os acessos que passa a ter por conta do dinheiro, e as relações com outros que transmitem para ele o sentimento de amor e ódio – que inclusive é o título do álbum dele de 2023. Quem conhece, sabe!

Outros versos das demais faixas demonstram que Borges quer transmitir ao seu público-ouvinte várias outras mensagens que podem tocar aqueles que pegarem a visão, independentemente de ser da favela ou do asfalto, segundo ele.

BG sendo aclamado pelo público Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades

O evento gratuito em Madureira, berço da cultura afro-brasileira, significou para muitos que Borges quer devolver para a comunidade negra e de favela o que conquistou nos últimos anos. Sendo um dos primeiros grandes lançamentos do rap brasileiro em 2026, o disco novo coloca o jovem de 25 anos em uma posição de destaque no cronograma musical do início do ano.

Confira todas as 12 faixas na íntegra: