O nome é Rua Alegria, mas a realidade de quem vive no local, no Conjunto de Favelas da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, por muitos anos foi motivo de preocupação: alagamentos e esgoto na porta de casa faziam parte da rotina. Com as intervenções da Águas do Rio, concessionária do grupo Aegea, os moradores começaram a se livrar dos batentes instalados nas entradas das residências para conter a água da chuva, que viraram marca da paisagem local. Os serviços de saneamento incluíram também a recuperação de estruturas, a instalação de mais de 120 metros de novas tubulações, a regularização de ligações domiciliares e a substituição de trechos deteriorados da rede em becos próximos à rua.
Há anos, o acúmulo de esgoto em um dos trechos próximos à rua era tão frequente que os próprios moradores passaram a chamar o local de “Beco do Esgoto”. A moradora Kely Cristina, que vive na comunidade há 45 anos, conta que a situação dificultava a circulação e era motivo de apreensão em relação à saúde da família. Quando a filha ainda era criança, teve contato com água acumulada na rua e, posteriormente, apresentou um quadro de celulite bacteriana, uma infecção da pele. A menina precisou ficar internada por sete dias.
“Eu fiquei três dias dormindo com ela lá por causa da doença”, conta Kely, que também relata outros episódios da infecção durante a infância da filha.

Desde o início das obras, a moradora vem percebendo as mudanças no local, especialmente em dias de chuva.
“Está visivelmente melhorando. Teve chuva, não encheu o beco, não encheu a rua”, comemora.
Luiz Mariano, morador da região desde 1996, também se lembra dos prejuízos provocados pelos alagamentos. Em um dia de chuva forte, a água invadiu sua casa e danificou móveis.
“Quando consegui voltar, minha casa estava com dois a três palmos de água. Perdi o sofá. Saber que isso ficou no passado é bom demais.”, lembra.

Obra integra projeto de saneamento na Maré
A intervenção na Rua Alegria faz parte do projeto de saneamento da Águas do Rio no conjunto de favelas da Maré, que reúne 16 comunidades e cerca de 200 mil moradores. O empreendimento prevê R$ 120 milhões em investimentos, com a implantação de 4,5 quilômetros de tronco coletor e 18 quilômetros de redes secundárias de esgoto.
Com a implantação do sistema, a expectativa é que 1,3 bilhão de litros de esgoto por mês deixem de ser lançados na Baía de Guanabara, volume equivalente a cerca de 520 piscinas olímpicas.
Para Renan Mendonça, diretor-executivo da Águas do Rio, as melhorias nas redes locais são essenciais para que o avanço do saneamento seja percebido também no dia a dia dos moradores.
Para Renan Mendonça, diretor-executivo da Águas do Rio, as intervenções locais são parte de um esforço mais amplo para ampliar a infraestrutura de saneamento e levar benefícios concretos à população.
“Estamos falando de um território com demandas históricas de saneamento, e os avanços na Maré já começam a ser sentidos a partir dos investimentos que estamos realizando. Nosso trabalho envolve ampliar a infraestrutura, recuperar redes e melhorar o funcionamento do sistema. Na Rua Alegria, atuamos em problemas que afetavam diretamente a rotina dos moradores e as intervenções fazem parte de um trabalho mais amplo para avançar no saneamento da região”, afirma.
