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Museu do Samba na Mangueira: arte, resiliência e resistência

A maior referência da memória do samba no Brasil, o espaço oferece sete exposições imperdíveis. É cultura com preço acessível, garantindo que a nossa história seja vista e celebrada por todos.

Com ingressos a preços populares, o público pode conferir sete mostras exclusivas que mostram a força e a evolução do samba. Foto: Vilma Ribeiro
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Um Tesouro aos Pés da Comunidade. Localizado na Visconde de Niterói, aos pés da Favela da Mangueira, o museu foi declarado Patrimônio Histórico e Cultural Imaterial do Estado do Rio (Lei 10.360/24).

A frente da instituição, Nilcemar Nogueira, neta dos baluartes Cartola e Dona Zica. Sob sua coordenação, o Museu do Samba não apenas protege o acervo, mas atua como um pilar de valorização da identidade da população negra e periférica.

Neta de Cartola e Dona Zica, ela coordena uma gestão que vai muito além de guardar objetos: ela preserva o orgulho de quem veio da favela. Foto: Vilma Ribeiro
Nilcemar Nogueira, coordena uma gestão que vai muito além de guardar objetos: ela preserva o orgulho de quem veio da favela. Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Neta de Dona Zica e Cartola sua missão à frente do museu é garantir que a história do povo preto e do samba não seja contada por terceiros, mas sim por seus próprios protagonistas. Para ela, o Museu do Samba não é um depósito de coisas velhas, mas o “Palácio da Memória” que Cartola e Zica sonharam para o seu povo.

Em um depoimento emocionante, ela relembra a transição do espaço. “E quando as pessoas chegam hoje visitando o Museu do Samba, que nasceu com o nome de Centro Cultural Cartola, ele foi criado justamente para a preservação da memória do Cartola, porque quando o meu avô se afasta da mangueira, a escola de samba, que foi uma organização social que ele ajuda a criar, é uma figura fundamental; inclusive junto dos pioneiros que criaram a escola de samba como um espaço de afirmação social em que você pudesse curar todas as feridas que a diáspora provocou em nossas vidas. Mas depois vai virar um grande produto.” afirma Nilcemar.

Nilcemar é uma das maiores autoridades em gestão cultural no Brasil. Mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais pela FGV e Doutora em Psicologia Social, ela uniu o saber popular à excelência acadêmica. Sua trajetória é marcada pela defesa do samba como um ativo econômico e social.

“ A força da mulher no samba é fundamental porque ela não só teme essa questão de ser agregadora, mas também na transmissão dos saberes tradicionais. Minha avó vivia a mangueira, e sempre pensando coletivamente como as relações que ela estabeleceu fora do morro, da favela, da mangueira, fez com que ela buscasse melhorias para o coletivo.”

Nilcemar Nogueira, coordena uma gestão que vai muito além de guardar objetos: ela preserva o orgulho de quem veio da favela. Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Quem for visitar o museu do samba vai encontrar um acervo gigante com mais de 45 mil itens, incluindo roupas e objetos doados por baluartes, 180 depoimentos exclusivos de lendas do Carnaval e vai poder ouvir sambas, assistir documentários e até vestir fantasias que já brilharam na Sapucaí para garantir aquela foto “instagramável”.

Sete Exposições para se Orgulhar

Com curadoria assinada por Nilcemar ao lado de nomes como Gringo Cardia e Simas, as mostras atuais são um mergulho na nossa ancestralidade e na força feminina.

  1. Alvoradas de Cartola (Homenagem ao mestre).
  2. Arte delas – Heranças Ancestrais (O protagonismo das mulheres).
  3. A força feminina do samba.
  4. Aos heróis da liberdade.
  5. Semba Samba: corpos e atravessamentos.
  6. Patrimônios Negros.
  7. Samba Patrimônio.
Orgulho, resistência e pertencimento. Nilcemar é a força que mantém a história do Samba viva. Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

O Museu do Samba é, acima de tudo, um espelho para quem vive e constrói a cultura das favelas cariocas todos os dias. Ter um equipamento desse porte, gerido com tamanha competência e amor às raízes dentro da zona norte, é a prova de que a nossa história é o nosso maior patrimônio. Visitar o museu não é apenas um passeio turístico; é um ato de afirmação. É entender que o samba que faz o mundo dançar nasceu aqui, tem nome, tem rosto e, graças à gestão de Nilcemar Nogueira, agora tem um lugar sagrado e eterno para ser celebrado.

Bora Visitar?

  • Onde: Rua Visconde de Niterói, nº 1296 – Mangueira.
  • Quando: Terça a sábado, das 10h às 17h.
  • Quanto: R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia). Dá direito a ver todas as exposições!