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Favela é Fashion transforma Cinecarioca da Penha em cenário de alta moda e resistência

Inspirado em "O Diabo Veste Prada 2", projeto reafirma os Complexos da Penha e Alemão como polos de vanguarda e inclusão no Rio de Janeiro

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades
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O glamour das grandes telas de cinema e a realidade pulsante das favelas cariocas se encontraram em um desfile histórico no último final de semana. Ocupando o emblemático Cinecarioca da Penha, o projeto Favela é Fashion, sob o comando da idealizadora e coordenadora Juliana Henrik, provou que a moda, quando feita com propósito, rompe qualquer barreira geográfica ou social.

Com o tema inspirado na sequência de O Diabo Veste Prada, o evento não foi apenas uma exibição de roupas, mas um manifesto de identidade. Enquanto o mundo assiste a continuação do longa de Hollywood, as modelos da Penha e do Alemão já dão o tom da próxima era: uma moda sustentável, diversa e feita por quem entende de superação. E a favela não quer apenas consumir moda, quer produzir, ditar tendências e ocupar os espaços de cultura. Se no cinema de Hollywood o “diabo” veste marcas de grife, na Penha, a moda veste orgulho, criatividade e resistência.

A abertura do desfile ficou por conta da pequena Sophia Cristyne Straubel Da Silva, de apenas 11 anos. Com a responsabilidade de ser a primeira a pisar na passarela, Sophia personificou a emoção de quem está começando a trilhar um sonho que vem desde o berço, incentivado pela mãe.

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

“Eu fiquei nervosa. Eu estava gelada! Quando a tia Ju falou no curso que eu ia ser a primeira, eu comecei a chorar, comecei a tremer, mas acabou que deu tudo certo”, revela a jovem promessa.

Para Georgia Karina Carvalho, 26 anos, moradora do Complexo da Penha, estar na passarela do Cinecarioca é a consagração de uma jornada que começou em 2019. Entre as pausas para a maternidade e os desafios do trabalho, ela encontrou no Favela é Fashion o suporte para não abandonar seu chamado.

“Eu sempre soube que tinha um chamado na moda. O Favela é Fashion foi uma grande válvula de escape e uma realização que vai além da passarela. A gente conheceu vários lugares que não achava que poderia pisar. Foi uma porta aberta para a nossa vida”, destaca Georgia.

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

O desfile também foi palco para o talento multifacetado de Ryan Xavier Lima, 23 anos. Cantor, modelo, desenhista e bailarino, Ryan sintetiza o espírito do jovem periférico que “faz acontecer”. Ele não apenas desfilou, ele assinou o próprio figurino de gala, transformando um cardigã padrão em uma peça digna de tapete vermelho.

Ryan está no seu segundo desfile pelo Favela é Fashion e está realizado em poder mostrar seu trabalho. Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

“A moda veio com tudo pra cima de mim porque eu sempre gostei de modificar roupas. Se ela inspira, por que eu não vou modificá-la? Por que não usar essa inspiração? A produtora disse que era tema ‘Prada’, quase gala, e eu fui pra cima”, relata Ryan, que reforça a importância da união entre modelos de diferentes pontos da Zona Norte.

O “Funil” da Moda e a Democracia do Bazar

Para Juliana Henrik, o projeto é um ato de coragem em um mercado que ainda se comporta como um funil estreito. A escolha do figurino foi uma aula de sustentabilidade: quase todas as peças saíram de bazares e brechós, mostrando que o luxo está no olhar e na montagem.

Juliana diz que não importa o sonho, nenhum sonho é pequeno, e ela está pronta para ajudar quem quer ser modelo a realizar. Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

“O primeiro filme mexeu muito comigo há 20 anos, e o segundo mexe ainda mais por ter o Favela é Fashion envolvido. Hoje a moda está mais popular, mas ainda existe um grupo que não tem acesso”, destaca a idealizadora do Projeto.

Ela reforça que a iniciativa do Complexo do Alemão é um santuário para todos os corpos e identidades, acolhendo modelos autistas, PCDs e o plus size real (manequins acima do 50). “O que importa é o sonho. Você pode ser modelo de pé, de mão, fotográfica… Se você olhar no espelho e falar ‘eu posso’, eu estou aqui para realizar esse sonho”, finaliza.

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