O Museu da Maré recebe, até o dia 18 de abril, a exposição Museu dos Meninos – Futuros Sampleados, que reúne produções inspiradas nas vivências de jovens negros do Complexo do Alemão. A proposta é apresentar outras formas de enxergar o território, valorizando memórias, trajetórias e perspectivas de futuro que costumam ser invisibilizadas.
A mostra nasce de um projeto artístico e educativo que vem sendo desenvolvido desde 2019, reunindo diferentes linguagens, como vídeo, teatro, dança e artes visuais. O material apresentado é resultado de um processo coletivo que transforma experiências individuais em obras que dialogam com identidade, pertencimento e imaginação.
Idealizador do projeto, Maurício Lima explica que a iniciativa busca romper com estigmas historicamente associados ao Alemão. “A gente quer ampliar as formas de ver o território, destacando a potência criativa e as histórias que surgem a partir dele”, afirma.
Um dos destaques da exposição é a série Futuros Sobre Tela, composta por depoimentos audiovisuais em que jovens refletem sobre suas trajetórias e expectativas. Além disso, o projeto também reúne ações realizadas ao longo dos anos, como intervenções urbanas, oficinas e espetáculos.
Entre essas produções está a peça Arqueologias do Futuro, que rendeu reconhecimento nacional ao projeto ao conquistar o Prêmio Shell de Teatro em 2025, na categoria de melhor direção.
A curadoria é assinada por Jonathan Nunes e Evee Ávila, além de Maurício Lima. A proposta do espaço expositivo é proporcionar uma experiência dinâmica, com intervenções ao longo do período da mostra, aproximando o público das obras e das narrativas apresentadas.
Segundo Jonathan, a exposição cria uma ponte entre territórios populares da cidade. “É um encontro entre Alemão e Maré, não como representação distante, mas como troca real de experiências e produção cultural”, explica.
Além das obras, a programação inclui atividades voltadas para o público, como visitas guiadas para estudantes de escolas públicas e encontros que discutem memória e cultura nas periferias.
A exposição acontece de terça a sexta, das 9h às 18h e sábado, das 10h às 14h no museu da maré com entrada gratuita.
