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Empreendedorismo feminino criativo movimenta a Páscoa no Complexo do Alemão

Com ovos artesanais e produção sob demanda, moradoras driblam preços do mercado e fortalecem a economia circular nas favelas

Tita Lanches é a loja da empreendedora com muitas coisas gostosas Foto: Vilma Ribeiro / Voz da Comunidades
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A Páscoa no Complexo do Alemão consolida uma rede de geração de renda protagonizada por mulheres. Diante da alta dos preços, o grande vilão da inflação é o cacau, que teve seu valor elevado; por isso, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a ABRAS, o consumidor tem optado pelo mercado artesanal. Nesse contexto, as empreendedoras do Alemão, Tita e Bruna, já se preparam para garantir a renda extra, apostando no diferencial da personalização e na produção feita “dentro de casa”.

Família e Negócios

Elenilda Moreira, a Tita, 51 anos, atua na confeitaria há três décadas. Moradora da Rua Nova, ela iniciou a trajetória vendendo sacolés para conciliar o trabalho com a criação da filha. Após formação técnica, expandiu o negócio para a loja Tita Lanches, que está abrindo sua segunda filial no Alemão. O empreendimento é gerido por mulheres da sua família, incluindo sua irmã e sua filha.

“Desde o meu primeiro curso, aprendi que não precisamos apenas ganhar dinheiro, temos que ganhar o cliente. Trabalho com produtos de qualidade para agradar e ter clientes fixos. Esse ovo é fresco, feito na mesma semana. Não tenho a montoeira pronta; se encomendam 50 ovos, fabrico tudo na hora para garantir o sabor”, explica Tita.

A empreendedora, que convive com a intolerância à lactose, utiliza a técnica visual para manter o padrão de qualidade. “Acerto o ponto pelo olho e pela textura. O de limão eu preciso provar uma pontinha, mas os outros é na receita e no olho. O de Oreo eu vejo que está bonito e sei que está certo”, afirma.

Sua opinião importa
Participação livre, sem necessidade de login.

A gestão do negócio agora conta com sua única filha, Vitória Moreira, 27 anos. Formada em Administração e estudante de Nutrição, ela aplica conhecimentos técnicos para atender nichos específicos. “Minha mãe faz várias receitas e meu pai é diabético, então ela aprimora as opções para começarmos a vender aqui. O conhecimento de nutrição ajuda a orientar quem tem receio sobre o açúcar”, pontua Vitória.

Além da tradicional linha de chocolates, o cardápio de Páscoa da Tita expande as fronteiras do paladar para atender quem prefere opções salgadas. A empreendedora produz ovos de empadão e de coxinha sob encomenda, garantindo versatilidade para o consumidor. Para ela, no entanto, o produto final é apenas parte do negócio: o diferencial está no atendimento humanizado e na proximidade com o morador. Tita reforça que o ingrediente secreto que atravessa todas as suas receitas é o amor com que cada peça é preparada.

Reinvenção e Autonomia na Grota

Na localidade da Grota, Bruna Lopes Silva, 34 anos, utiliza a marca Loukas por Doces como base de sustentação familiar há 15 anos. A transição para o empreendedorismo ocorreu por necessidade de assistência ao filho diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA).

“Eu trabalhava no shopping e tinha muito pouco tempo. Saí do emprego e me reinventei na confeitaria para ter renda. Ser mãe típica exige tempo para terapias e fono; fazendo meu horário, consigo ser mais presente na vida dele. O lucro já me deu minha moto de entregas e o salãozinho do meu filho mais velho“, relata Bruna.

A produção de Bruna foca no resgate da memória afetiva. “O ovo no mercado é só a casca. O nosso é artesanal, brigadeiro mexido na panela, que remete à infância. Agregamos amor e cuidado”, defende a confeiteira, que já atingiu a marca de 150 ovos vendidos em uma única temporada.

Mercado Local e Preços

A precificação nas favelas busca competitividade e acessibilidade. Na Tita Lanches e na Loukas por Doce, os valores variam entre R$ 12 e R$ 95, dependendo do peso e dos insumos utilizados, como Ferrero Rocher e Ninho com Nutella.

A logística de vendas também respeita a dinâmica do morador. “No dia da Páscoa eu deixo sempre produtos a mais, porque o brasileiro compra de última hora. Mas quando acaba, acabou. Também preciso curtir a data com as crianças”, diz Bruna.

Para o comércio do Complexo do Alemão, a data representa mais do que o consumo de chocolate; é o período em que a autonomia financeira de mulheres como Tita e Bruna se consolida.

Onde ficam as lojas?

Almo Doce (Tita): Rua Nova, Loja 1 / Rua Paranhos, 38.

Loukas por Doce (Bruna): Localidade da Grota, nº 49, fundos.