A série “Man on Fire” virou sucesso mundial na Netflix e, junto com ela, três artistas negros e periféricos do Rio de Janeiro estão conquistando espaço no cenário internacional. Jefferson Baptista, Bruno Suzano e Rei Black, vindos da Zona Oeste e da Baixada Fluminense, dão vida a personagens que mostram muito mais do que violência: falam sobre sonhos, sobrevivência, família e escolhas dentro da favela.
Além das cenas de ação, a produção chama atenção por trazer personagens mais humanos e reais, fugindo dos estereótipos que muitas vezes marcam as histórias sobre periferia.
Rei Black, que interpreta Duda na série, acredita que o sucesso mundial pode ajudar a mudar a forma como o Brasil e as favelas são vistos lá fora. “A favela deixa de ser vista só como um lugar de sofrimento e passa a ser enxergada também como espaço de inteligência, estratégia e potência”, destacou o ator.
Bruno Suzano, cria da Zona Oeste, falou sobre a importância de ocupar espaços que normalmente são negados para jovens periféricos. “Ser um artista da Zona Oeste em uma produção desse tamanho é motivo de muita alegria. Existe um racismo geográfico que dificulta o acesso de jovens periféricos às oportunidades. Se minha trajetória inspirar alguém a continuar sonhando, já valeu”, afirmou.

Na série, Bruno interpreta Beto, irmão de Livro, personagem vivido por Jefferson Baptista. Os dois representam caminhos diferentes dentro da mesma realidade da favela: enquanto um tenta sobreviver através da criminalidade, o outro aposta nos estudos e nos próprios sonhos.
Jefferson, que vem recebendo elogios da crítica internacional pelo papel de Livro, contou que o personagem mostra uma realidade pouco retratada nas telas. “O Livro escolhe estudar e acreditar em novas possibilidades. Ele representa muitos jovens da favela que sonham em mudar de vida”, disse o ator.
Já Rei Black explica que Duda é um personagem marcado pelas responsabilidades e pela pressão de crescer rápido dentro de uma realidade difícil. “Ele é um cara estratégico, ambicioso e que tenta sobreviver em um contexto onde a violência muitas vezes é imposta”, explicou.
Para os atores, o grande diferencial de “Man on Fire” é mostrar a periferia com dignidade e humanidade, sem transformar a favela apenas em um cenário de violência para entretenimento.
“Estamos mostrando nossa criatividade, nossa potência e personagens complexos. É uma narrativa que trata a favela com respeito”, finalizou Rei Black.
