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Coronel exonerado após operação que resultou na morte de Herus Guimarães no Santo Amaro é nomeado para novo cargo na PM

Três meses depois de deixar o comando do Bope, oficial assume superintendência. A família do jovem morto criticou a decisão

Foto: Reprodução
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Três meses após ser exonerado do comando do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), o coronel Aristheu de Goes Lopes foi nomeado para o cargo de superintendente de Gestão Integrada da Polícia Militar. A nomeação ocorreu no dia 1º de setembro.

O oficial havia sido afastado no início de junho, depois da morte de Herus Guimarães Mendes, de 24 anos. Na época, o Bope havia iniciado uma incursão policial no Morro Santo Amaro, na Zona Sul do Rio, onde o jovem, que trabalhava como office boy, participava da tradicional festa junina da comunidade, realizada há mais de 50 anos. Na ocasião, moradores relataram que os policiais entraram atirando enquanto acontecia uma quadrilha junina, levando assim a óbito Herus.

No dia seguinte à operação, o governador Cláudio Castro determinou o afastamento de 12 policiais que participaram da ação, além do comandante do Comando de Operações Especiais (COE), coronel André Luiz de Souza Batista, e do próprio coronel Aristheu.

Na nova função, Aristheu passa a coordenar informações de diferentes órgãos, como saúde e trânsito, que chegam ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). A superintendência é responsável por monitorar incidentes em tempo real, apoiar decisões em situações de crise e avaliar os serviços do 190.

Em nota, a Polícia Militar informou que “não há qualquer determinação judicial que impeça o referido oficial da ativa de exercer a função policial” e que o inquérito policial militar sobre o caso foi concluído e encaminhado ao Ministério Público Militar.

Manifestação dos familiares e moradores de Santo Amaro em junho de 2025. Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades

Indignação da família de Herus

A nomeação gerou uma série de críticas, principalmente da família da vítima. O pai de Herus, Fernando Guimarães, disse: “Ficamos surpresos, indignados, bastante chateados. A comunidade Santo Amaro repudia essa nomeação. Ninguém do governo nos procurou, mas uma nomeação eles fazem antes do final do inquérito.”

Já o Grupo de Atuação Especial em Segurança Pública do Ministério Público confirmou que já recebeu o Inquérito Policial Militar sobre o caso do Santo Amaro no dia 20 de agosto e que, além dessa, há outras duas investigações sobre o caso.

Relembre o caso

Um tiroteio durante uma ação policial na madrugada do dia 7 de junho, durante uma festa junina na comunidade do Santo Amaro, no Catete, Zona Sul do Rio, terminou com a morte do jovem Herus Guimarães Mendes, de 24 anos. Ele trabalhava como office boy em uma imobiliária e, segundo relatos da família, foi atingido por dois disparos.

A comunidade recebia um encontro de quadrilhas juninas, com grupos vindos de diversas regiões do estado quando o Batalhão de Operações Especiais (BOPE) interrompeu a festa com tiros, pegando todos de surpresa. Além de Herus, um adolescente de 16 anos também foi baleado e levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro.

Herus chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital Glória D’Or, na Zona Sul, mas não resistiu aos ferimentos. A morte do jovem, durante um evento tradicional e festivo, causou revolta e comoção entre moradores e familiares, que cobram explicações sobre a ação policial em meio a uma celebração cultural. Na manhã seguinte ao ocorrido, a família realizou um protesto na entrada da comunidade.