O escritor Jessé Andarilho, cria do Antares, favela de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, lançou o livro ‘Esquema‘ no Espaço da Ser Cidadão. O evento contou com um bate-papo potente sobre vivências, reunindo o rapper Major RD e o secretário municipal de cultura, Lucas Padilha, e distribuiu gratuitamente 150 exemplares da obra para o público presente.
A escolha de Santa Cruz como palco para o lançamento teve um significado profundo. Em um território muitas vezes esquecido pelos grandes circuitos literários, o evento rompeu barreiras geográficas e financeiras que costumam excluir moradores de bairros distantes do Centro ou da Zona Sul dos lançamentos de grandes editoras. Para Jessé, essa proximidade foi essencial:
“O público de Santa Cruz quase sempre fica excluído dos grandes lançamentos. A distância, o custo do transporte… tudo isso é um obstáculo. Então poder disponibilizar 150 exemplares aqui, onde os personagens do livro circulam durante a história, é magnífico.”, explica o autor para o Voz das Comunidades.

O encontro no Espaço da Ser Cidadão lotou. Leitores puderam pegar livros autografados, conversar com o autor e trocar ideias sobre a realidade narrada em ‘Esquema’. A obra acompanha Daniel Piloto, motorista de kombi que se torna vereador no Rio, num enredo cheio de reviravoltas que expõe o “jeitinho brasileiro” e as gambiarras do dia a dia, em moralismos, mas com olhar atento à realidade.
A programação não se limitou à literatura. Major RD, referência no rap nacional, e o secretário Lucas somaram ao debate. Para Jessé, reunir artistas, gestão pública e iniciativa privada foi um recado sobre como a cultura se fortalece na união. “Juntar artistas, governo, empresa e público é mostrar que, se nos unirmos em prol da arte, a festa fica linda. Tem gente que só valoriza se vir alguém de gravata curtindo, outros só se interessam com artistas relevantes apoiando. Ter empresas que entendem isso e investem é lindo. O resultado foi impactante.”

O escritor também ressaltou o significado pessoal de lançar o livro no bairro: “Achei muito maneiro conectar a arte com as pessoas que inspiraram essa arte. Os personagens são reais, circulam por aqui. Ver quem inspirou essa história ter o livro em mãos é impagável. Foi uma festa, com música, DJ, lanche bom, tudo para dar às pessoas a experiência de um lançamento literário do jeito que costuma rolar na Zona Sul.”
E, como o próprio Jessé define, sua escrita não é apenas “vivência”, mas “escrevisão”: “Eu escrevo sobre o que vejo, ouço e vivo. É isso: escrevisão. Pega a visão.”

