Quem é das quebradas sabe bem: tem livros que são mais do que histórias, são amuletos. É assim que chega Encantaria da Memória, primeiro livro de Clara Anastácia, que será lançado nesta quinta-feira, dia 21 de maio, às 19h, no Clube de Leitura do Novo Mercadinho São José, em Laranjeiras. A entrada é de graça e aberta para todos.
O evento é um verdadeiro encontro de potências. Clara Anastácia roteirista, diretora e criadora do Melodrama Decolonial vai bater um papo daqueles com Luiz Rufino, pedagogo e escritor carioca do subúrbio, autor de obras como Pedagogia das encruzilhadas e Vence-demanda. A mediação é de Daiene Mendes, parceira e cofundadora do Voz das Comunidades, cria do Complexo do Alemão. Ou seja, um time que entende de memória, de favela e de construir narrativas que curam.

Encantaria da Memória não é um livro comum. A própria autora chama de “livro-patuá” aquele feitiço, proteção, palavra que a gente carrega junto ao corpo. A narrativa nasce das lembranças de Clara Anastácia quando menina, moradora de favela, uma criança negra que perdeu a mãe, Maria Nazaré de Jesus, e precisou recordar para se manter viva.
As histórias giram em torno do que aconteceu antes da morte da mãe e misturam cenas da infância, cantos, imagens ancestrais e reflexões profundas. É o passado conversando com o presente, como uma serpente que morde o próprio rabo, um ciclo que não se fecha, mas se refaz. O livro mostra que a memória, para quem vive na margem, não é só saudade. É ferramenta de reencantamento. É jeito de não deixar o Brasil esquecer quem ele é.
Nas palavras da autora, que estão na orelha do livro: “A minha infância sempre foi o meu passado mais próximo, a ponte com as memórias ancestrais que me circulam. (…) Esse livro é um patuá, um feitiço, ele é uma encantaria da memória.”
