O Carnaval, tradição carioca e maior festa popular do planeta, está para começar. Abram alas para a folia, confetes, fantasias e blocos tradicionais que levam alegria para a população da Zona Norte do Rio de Janeiro. E no meio de tanta festa, o Voz das Comunidades foi conferir a preparação de três grandes blocos que agitam a região da Leopoldina: Cacique de Ramos, Feiticeiras de Olaria e o CarnaVoz.
“Vou caciquear. Só vou parar na quarta-feira…”
A letra do samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira no ano de 2012 saudava na Marquês de Sapucaí, “a tribo dos bambas, onde todo o verso se torna canção”. Como a icônica Tamarineira, protegida pelos muros e imortalizada em canções e rodas de conversas de teor sambista que o Cacique de Ramos nasceu, criou raízes e emergiu para o samba no mundo. O bloco tradicional surgiu de grupos carnavalescos do bairro de Ramos, na Zona Norte do Rio, e datou o 20 de janeiro como seu marco de nascimento. Com mais de 60 anos de história, a agremiação revelou e consolidou nomes consagrados como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Almir Guineto, Beth Carvalho, Neguinho da Beija-Flor, João Nogueira e o eterno Ubirajara Félix do Nascimento, respeitosamente conhecido como Bira Presidente (in memoriam).
Com a tradição do samba aos finais de semana e preservação de um legado deixado por Bira Presidente, o Cacique de Ramos enteou em 2026 com uma nova direção, formada por Christian Kelly, Karla Marcelly, filhas de Bira, junto com Marcio Nascimento, genro do cantor. “Meu pai sempre foi muito leve. Dirigiu o Cacique com muita praticidade. Para ele era muito fácil. E para nós, estamos aprendendo, seguindo tudo que ele nos ensinou. A gente tá tentando tornar tão leve quanto era para ele. Eu espero que a gente consiga”, diz Kelly, diretora do Cacique de Ramos. Márcio, vice-presidente, acompanha a esposa. A missão do Cacique é manter os ensinamentos. “Queremos preservar tudo que o Bira fez. Preservar e melhorar conforme os anos vão passando, né? Temos que dar uma evoluída, sempre sem perder a tradição nem perder a raiz, né? Ele deixou tudo explicadinho pra gente. O manual de instrução tá pronto”. Para Karla, presidente do Cacique de Ramos, o apoio mútuo familiar complementa o que ela define como “Diretoria de ouro. Se a gente conseguir chegar aos 50% do meu pai, eu já sou muito feliz, porque como minha irmã falou, ele fazia isso com uma maestria. Ele era muito bom no que ele fazia, ele gostava do que ele fazia. E nós fomos criadas nesse meio. O foco é manter a história, manter a flexibilidade que ele tinha e manter o amor que ele tinha”.

Para o Carnaval de 2026, o Cacique de Ramos chega com novidades. Historicamente, o Cacique de Ramos possuía seis alas de índios. A “Eu Sou Cacique”, que antes era uma ala de camisa, foi redesenhada e transformada em uma ala de fantasia, se tornando assim a sétima ala oficial do bloco. Para o carnavalesco André Cezari, que está no bloco há 17 anos, levar o Cacique de Ramos para o mundo é uma responsabilidade muito grande.
“É do caciqueano pro caciqueano. É um legado imenso que tenho aqui do carnaval, do samba, desses grandes ídolos que saíram daqui. Todo ano a gente fazia alguma homenagem. Fizemos para Beth Carvalho, para o Grupo Fundo de Quintal… Sempre para alguém do nosso próprio bloco, né? E por causa das nossas tamarineiras, que fizeram história aqui. E de alguma forma, o Cacique de Ramos sempre dá aquilo que a pessoa quer desde que entra aqui de bom coração.”
“É do caciqueano pro caciqueano. É um legado imenso que tenho aqui do carnaval, do samba, desses grandes ídolos que saíram daqui. Todo ano a gente fazia alguma homenagem. Fizemos para Beth Carvalho, para o Grupo Fundo de Quintal… Sempre para alguém do nosso próprio bloco, né? E por causa das nossas tamarineiras, que fizeram história aqui. E de alguma forma, o Cacique de Ramos sempre dá aquilo que a pessoa quer desde que entra aqui de bom coração.”



Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Ciganas que enfeitiçam Olaria há décadas
Fundado a partir da tradição carnavalesca de Olaria, o Bloco Carnavalesco Ciganas Feiticeiras de Olaria mantém viva, há quase três décadas, a cultura popular no bairro da Zona Norte do Rio. Criado em 12 de outubro de 1995, o bloco é sucessor direto do extinto Bloco da Preguiça de Olaria, que marcou gerações antes de interromper suas atividades. A retomada nasceu de um encontro entre amigos e moradores históricos do bairro, reunidos na casa de Nilton Mesquita, pai de Alexandre Pimentel, um dos diretores da agremiação. “O nosso bloco é oriundo da extinta Preguiça de Olaria. Depois de alguns anos sem atividade, resolvemos retomar essa tradição no bairro”, conta Alexandre Pimentel, de 52 anos, nascido e criado em Olaria. Segundo ele, o nome do bloco surgiu a partir de uma memória curiosa do território. “Antigamente, andavam umas ciganas pelo bairro lendo a mão das pessoas e tentando prever o futuro. Daí veio o nome Ciganas Feiticeiras”, relembra.
Atualmente, o bloco é composto por um presidente e 15 diretores, todos moradores de Olaria, o que reforça o caráter comunitário da iniciativa. Mais do que um desfile, o Ciganas Feiticeiras se consolidou como um espaço de folia segura, reunindo famílias, crianças e foliões de diferentes idades. “A gente considera o bloco uma grande família. É com muita satisfação e luta que preparamos o carnaval para a nossa comunidade”, afirma Alexandre. O ambiente acolhedor do bairro e do próprio bloco ganhou popularidade, ultrapassando os limites do bairro de Olaria. Resultado? “Vem gente de longe, porque se sentem seguros de brincar o carnaval com seus familiares”, destaca.
Para o Carnaval de 2026, a novidade é a realização do baile infantil na sexta-feira de carnaval. E a preparação para a festa já está em andamento, com ensaios de bateria e organização das atividades. Sem um tema específico, o bloco aposta na tradição, com sambas populares, marchinhas e composições próprias.


Fotos: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades


A folia no coração de Inhaúma
Há quatro anos, o Bloco Carnavoz faz a Zona Norte do Rio vibrar, pular, cantar com muita música e alegria, celebrando e consolidando o subúrbio carioca como uma região de promoção cultural. O palco da festa é a Praça de Inhaúma, que já recebeu eventos, como o Arraiá do Alemão e o Festival Favela Gastronômica.
Neste ano, o evento, que acontece no sábado, 21 de fevereiro, aposta em um palco 360°, formato pensado para ampliar o acesso do público e garantir melhor visibilidade e som em todos os pontos da festa. Estão confirmados nomes como a Bateria da Mocidade de Inhaúma, DJ FP do Trem Bala, Fabinho Carioca, DJ Tabata Clarina, Renan Oliveira, DJ Bael, Valesca, MC Marcelly e o grupo Tá na Mente. A programação passeia pelo samba, funk, pagode e ritmos que marcam o carnaval contemporâneo, reunindo diferentes gerações em um mesmo espaço.
Para Rene Silva, idealizador e organizador da festa, chegar à quarta edição do evento é importante demais e leva muita alegria para moradores não só da Zona Norte carioca. “Vem pessoas de todos os lugares do Rio. Não só daqui da Zona Norte como também Oeste, Sul. E estaremos de braços para receber todos eles de novo para curtir os shows, com muita alegria e diversão aqui em Inhaúma”.




