O maior encontro de cinema negro da América Latina chega à sua 18ª edição reafirmando seu compromisso com a ancestralidade, o intercâmbio internacional e, principalmente, a territorialidade. Entre os dias 9 e 17 de abril, o Rio de Janeiro será palco de uma programação gratuita que conecta o Centro da cidade às periferias.
Do Centro às Periferias: O Festival no Coração da Favela
Um dos grandes diferenciais deste ano é a circulação das obras por territórios fundamentais da Zona Norte, levando o cinema negro para onde o povo está. Além dos tradicionais palcos no Centro, como o Cine Odeon e o MAR, o festival marca presença em:
- Maré: No Galpão Bela Maré.
- Penha: No Cine Carioca Penha.
- Complexo do Alemão: No Cine Carioca Nova Brasília.
Essa descentralização reflete o legado de Zózimo Bulbul, que idealizou o encontro como um espaço de troca e circulação, fugindo da lógica competitiva e priorizando o encontro de narrativas.
Homenagens e Abertura
A abertura oficial acontece no dia 8 de abril, às 18h30, no Cine Odeon. Esta edição presta homenagens a duas figuras fundamentais da cultura negra contemporânea:
- Ana Maria Gonçalves: Escritora e autora do épico “Um defeito de cor”.
- Viviane Ferreira: Cineasta e fundadora da APAN (Associação de Profissionais do Audiovisual Negro).
Identidade Pan-Africana
Com as cores da bandeira da Etiópia (verde, amarelo e vermelho) estampadas em sua identidade visual, o festival celebra o país que simboliza a resistência anticolonial. O evento recebe convidados de peso, como o cineasta maliano Cheick Oumar Sissoko e Tresor Senga, do festival Mashariki, em Ruanda, consolidando o eixo pan-africano que une Brasil, África e diáspora.
Serviço
- Evento: 18º Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul
- Data: 9 a 17 de abril
- Locais no Centro: Cine Odeon, Teatro Carlos Gomes, Casa Brasil e MAR.
- Locais nas Favelas: Galpão Bela Maré (Maré), Cine Carioca Penha e Cine Carioca Nova Brasília (Alemão).
- Entrada: Gratuita.
Destaque de Debates: Não perca as mesas sobre saúde mental da população negra e a discussão “Cinema Oferenda”, que aborda a sétima arte como ferramenta de reparação histórica.
