A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro vai desativar definitivamente dez estruturas de policiamento localizadas em favelas da capital, incluindo bases, torres de vigilância e cabines blindadas. A medida, publicada no Diário Oficial na última quarta-feira (4) por meio da Resolução SEPM nº 9.560, faz parte de uma ampla reorganização do Comando de Polícia de Proximidade (CPP), que reduziu o número de UPPs com administração independente de 16 para 10 sedes, transformando as demais em companhias destacadas e limitando o efetivo a 3.000 agentes.
O impacto da mudança será sentido com maior intensidade no Jacaré, na Zona Norte, que concentra três das dez instalações que serão fechadas: as bases do Buraco do Lacerda, da Feirinha e do Largo do Jacaré. A lista de desativações segue com a Torre do Adeus e a Cabine dos Democráticos, ambas em Manguinhos; a Torre da Gamboa, no Morro da Providência; a Cabine Predinhos, no Complexo do Alemão; a Cabine da Praça São Lucas, na Penha; a Cabine Gambá, no Lins de Vasconcelos; e a Base Basanha, no Morro do Borel.
Apesar do encerramento das atividades nessas estruturas físicas, a resolução da corporação determina a manutenção do policiamento nas favelas afetadas. Para suprir a ausência das bases fixas, a PM reorganizará as escalas de serviço e poderá implantar pontos-base temporários conforme as necessidades operacionais. Com a perda da autonomia administrativa de seis UPPs, as companhias locais continuarão em funcionamento, mas passarão a responder diretamente a sedes regionais.
Dentro dessa nova estrutura de subordinação, o Borel assumirá a coordenação das companhias do Salgueiro, Formiga e Macacos, enquanto a UPP do Jacaré ficará responsável pela gestão do São João e do Lins. Na Zona Sul, a Rocinha passará a administrar a companhia do Vidigal. No Complexo do Alemão, a gestão regional reunirá o trabalho da Fazendinha, da Nova Brasília e do próprio Complexo do Alemão. Da mesma forma, na Penha, as companhias da Vila Cruzeiro e da Chatuba ficarão sob a mesma coordenação unificada.
A diretriz prevê ainda o ajuste do efetivo do Comando de Polícia de Proximidade para o teto de 3 mil agentes, priorizando as ações de policiamento ostensivo. O documento oficial, no entanto, não detalha a quantidade exata de policiais que atuará em cada comunidade e tampouco fixa um prazo para a retirada das estruturas físicas das favelas. Esta é a segunda grande reformulação recente no sistema: em 2024, outra alteração já havia reduzido de 29 para 16 o número de UPPs com gestão autônoma no estado.
Em nota, a Polícia Militar informou que a nova reestruturação prevê o enxugamento da área administrativa para transferir mais 300 policiais para a atividade-fim no patrulhamento ostensivo. Segundo a corporação, as bases administrativas extintas darão lugar a companhias destacadas subordinadas às 10 UPPs mantidas (Santa Marta, Jacaré, Mangueira, Providência, Borel, Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Pavão-Pavãozinho, Manguinhos e Rocinha). A PM destacou ainda que a mudança não alterará as rotinas do Comando de Polícia de Proximidade (CPP), mantendo o patrulhamento no entorno das comunidades, o suporte do Grupo de Intervenção Tática (GIT) e os projetos sociais que atendem mais de 6 mil moradores.
