No próximo domingo, 4 de outubro, o morador de favela e de comunidade tem um compromisso importante: votar. É nesse dia que a população escolhe quem vai cuidar do estado e do país pelos próximos anos. Por isso, o Voz das Comunidades preparou este guia com tudo o que você precisa saber para chegar na seção eleitoral tranquilo e votar sem complicação.
Horário da votação
A votação começa às 8h da manhã e termina às 17h. Aqui no Rio, o horário é o mesmo de Brasília, então não tem confusão. O ideal é não deixar para a última hora, porque a fila costuma aumentar no fim do dia.
Quais documentos levar
Muita gente da comunidade acha que precisa levar o título de eleitor, mas não precisa. O que você precisa é de um documento oficial com foto. Vale a carteira de identidade, a carteira de motorista, o passaporte, a carteira de trabalho de papel, o certificado de reservista, a identidade social e a carteira de conselho profissional. Mesmo se o documento estiver vencido, ele vale, desde que dê para reconhecer o seu rosto. Certidão de nascimento e certidão de casamento não servem. A carteira de trabalho digital também não é aceita.
Título de eleitor no celular
Outra opção é o aplicativo e-Título, que é o título de eleitor no celular. Ele só serve como documento se aparecer a sua foto nele. E atenção: no dia da eleição não dá para fazer o cadastro no aplicativo. Quem quiser usar o e-Título precisa baixar e fazer o cadastro antes, até o sábado. Depois, pode usar, sem necessidade de internet.
Onde eu voto?
Se você não sabe onde vota, dá para descobrir de dois jeitos. No aplicativo e-Título, o endereço aparece logo na primeira tela. No site do TSE, que é o Tribunal Superior Eleitoral, é só entrar na opção “Onde votar” e colocar os seus dados. Se você não lembra o número do título, ele está escrito atrás do documento de papel ou pode ser consultado no site do TSE, informando o CPF, a data de nascimento e o nome do pai ou da mãe.

A ordem dos votos na urna
Na hora de votar, você vai digitar os números na urna nesta ordem: primeiro deputado estadual, depois deputado federal, depois dois senadores, um de cada vez, depois governador e, por último, presidente da República. São seis votos no total. Para não esquecer os números, você pode levar a famosa “cola”, um papel com o nome e o número dos seus candidatos. Isso é permitido. O TSE também tem um simulador na internet para quem quiser treinar antes.
Celular não entra na cabine
O celular pode ir com você até a seção, mas não pode entrar na cabine de votação. Antes de votar, você deixa o aparelho desligado com o mesário e pega de volta quando sair. A regra vale também para câmera e qualquer aparelho que tire foto ou grave vídeo. Isso existe para proteger o segredo do seu voto. Se a pessoa se recusar a entregar o celular, o mesário pode não deixar ela votar.
Roupa e crianças
Sobre a roupa, pode ir de bermuda e chinelo sem problema. O que não pode é entrar sem camisa ou com roupa de praia, como biquíni, maiô ou sunga. Quem tem filho pequeno também pode levar a criança junto na sala de votação. Só se a criança atrapalhar o trabalho da seção é que o mesário pode pedir para ela não entrar na cabine.
O que pode e o que não pode no dia
No dia da eleição, cada um pode mostrar em quem vai votar de forma individual e em silêncio, usando camisa, broche, adesivo ou bandeira do seu candidato. Mas é proibido fazer boca de urna, que é pedir voto perto do local de votação. Também é proibido fazer comício, carreata, usar carro de som, distribuir santinho e juntar grupo para fazer manifestação por candidato. É proibido ainda andar armado a menos de 100 metros da seção eleitoral, mesmo quem tem porte de arma. Só policiais e agentes de segurança autorizados pela Justiça Eleitoral podem.
Assédio eleitoral é crime
Um assunto muito sério para os trabalhadores da comunidade é o assédio eleitoral. Nenhum patrão, chefe ou qualquer outra pessoa pode pressionar, ameaçar ou forçar você a votar ou deixar de votar em alguém. Isso é crime. O voto é seu e é secreto.
Como denunciar
Se você passar por assédio, ou se vir compra de voto, propaganda irregular ou notícia falsa, pode denunciar. O aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, recebe denúncias e protege a sua identidade. Também dá para ir ao cartório eleitoral. Sempre que puder, guarde foto, vídeo, áudio ou print para ajudar a provar o que aconteceu.
Não vai votar? Precisa justificar
No Brasil, votar é obrigatório para quem tem entre 18 e 70 anos. Quem não puder votar precisa justificar a falta. No dia da eleição, a justificativa pode ser feita pelo e-Título, mas só para quem já tinha o aplicativo cadastrado até o sábado. No dia, é preciso ligar a localização do celular, entrar em “Mais opções” e escolher “Justificativa de ausência”. Quem perder o dia ainda tem prazo: para o primeiro turno, a justificativa pode ser feita até 3 de dezembro de 2026. Se tiver segundo turno e a pessoa faltar, o prazo vai até 8 de janeiro de 2027. Faltar no primeiro turno não impede ninguém de votar no segundo.
O que acontece com quem não vota nem justifica
Quem não vota e também não justifica fica devendo à Justiça Eleitoral. Com o título irregular, a pessoa não pode votar e pode ter problemas para conseguir alguns serviços e direitos. Para resolver, é preciso justificar dentro do prazo ou pagar a pendência.
Quem está fora da cidade
Existe o voto em trânsito, que permite votar em outro lugar, mas o prazo para pedir terminou no dia 20 de agosto. Quem não pediu e estiver longe no dia 4 deve justificar a ausência.
A urna começa zerada
Uma curiosidade que ajuda a confiar na urna: antes da votação começar, cada urna imprime um papel chamado zerésima. Esse papel mostra que todos os candidatos estão lá dentro e que nenhum deles tem voto ainda. Ou seja, a urna começa o dia zerada.
Sua voz conta
Votar é um direito de todo morador da favela. É pelo voto que a gente cobra saneamento, saúde, escola, transporte e respeito para quem vive nos territórios. No dia 4 de outubro, leve seu documento com foto, sua cola e faça valer a sua voz.
