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“Convocados para o Futuro”: filme sobre jovens do Vidigal ganha prêmio de Melhor Elenco após exibição no Museu do Amanhã

Gravado de forma orgânica e focado na rotina dos jovens da favela, o projeto idealizado por Tom Macaveli mostra como o audiovisual e o futebol se cruzam na periferia do Rio de Janeiro.

Foto: Divulgação
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O cotidiano das crianças e jovens do Vidigal, no Rio de Janeiro, carrega uma relação quase sagrada com o futebol e com os seus próprios sonhos. Essa realidade ganha força e representatividade no filme “Convocados para o Futuro”, obra que acompanha a jornada de jovens que desejam vestir a camisa da Seleção Brasileira. A autenticidade da produção e o desempenho do elenco comunitário resultaram na conquista do prêmio de Melhor Elenco, marcando uma celebração de orgulho em sua exibição no Museu do Amanhã.

Para o idealizador do projeto, Tom Macaveli, o segredo da química do grupo esteve na escolha de não engessar as atuações, mas sim de registrar a vida exatamente como ela acontece. “Foi gravado organicamente. Eu fiz uma direção antes de apertar o ‘rec’, mas já era a rotina e a vida dos atores; trabalhei com fatos reais. Acordei do lado do ator principal esperando suas primeiras reações: ele já acorda com o uniforme, escova os dentes, come apenas uma banana e vai jogar futebol. Essa é uma ação que todas as crianças do Vidigal fazem, elas já dormem prontas para o treino. Não é um treino, é quase um culto ao futebol. No meio das gravações, as falas foram surgindo e fui captando o orgânico da cena.”

Apesar das dificuldades enfrentadas durante o processo de viabilização do longa-metragem, o foco agora é fazer com que a obra pertença de fato aos seus protagonistas e moradores. O objetivo é democratizar o acesso e levar a produção para o cotidiano do morro. “Agora o desafio é passar o filme na comunidade, nos teatros, nas casas de festas, em dia de jogo. A favela respira futebol, a favela ama as crianças que são o nosso futuro e que já são artistas desde cedo”, disse.

O reconhecimento e a repercussão de “Convocados para o Futuro” funcionam como uma virada de chave para a carreira do diretor, abrindo novos caminhos no cinema e no jornalismo comunitário. “Meu grande desafio é continuar no audiovisual contando histórias através de filmes-reportagens. Essa produção me fez enxergar que sou capaz de produzir filmes e contar histórias que ninguém conta. Quero me especializar cada vez mais. Esse filme foi um grande empurrão: ‘vai e faz, favela, porque você pode'”, finaliza. 

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