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Dia da Favela: Há uma década, Roda Cultural da Cidade de Deus transforma rimas em resistência

Criada em 2016 na Quadra do Lazer, RCCDD virou ponto de encontro, trabalho e esperança para a juventude de favela

A Roda Cultural da CDD acontece quinzenalmente às quintas-feiras Foto: Reprodução
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A Roda Cultural da Cidade de Deus, conhecida como RCCDD, completou 10 anos em 2026. O que começou como um encontro de amigos na Quadra do Lazer virou o movimento de rap mais antigo em atividade na Cidade de Deus, na Zona Sudoeste do Rio. Lá acontecem batalhas de rima, shows, DJ, dança e grafite, tudo de graça para os moradores.

O DJ Caio Augusto, de 28 anos, é um dos fundadores. Ele conta que, em 2016, a galera da Cidade de Deus só via batalha de rima pelo YouTube. “A galera não conseguia ir para o Tanque, que era em Niterói, São Gonçalo. Então a gente começou a idealizar isso para trazer mais para perto”, lembra. Os shows também eram poucos e caros. A Roda nasceu para mudar isso.

Com o tempo, a Roda cresceu. Passou a fechar a quadra de basquete do Lazer e levou grafite em lona gigante, barbearia, tranças e cortes de cabelo para dentro do evento. A Roda também abriu espaço para falar dos problemas da favela. Nas batalhas com temas, os MCs cantavam sobre a falta de cursos e projetos sociais, e os vídeos ajudaram mais a olhar para a Cidade de Deus. Caio conta ainda que, depois que a Roda foi registrada na Secretaria de Cultura, as operações policiais nas quintas-feiras foram diminuindo até parar. “A quinta-feira na Cidade de Deus era um dia de alegria”, diz.

Thiago Lima, o TH Lima, de 34 anos, é cria da Cidade de Deus, produtor cultural e repórter fotográfico. Ele assumiu a organização da Roda em 2021, junto com Vitor Franco. Um dos dias que ele nunca vai esquecer foi 10 de agosto de 2023. A filha mais nova dele nasceu pouco antes de um grande evento da Roda. Ele ficou na maternidade e Vitor, padrinho da menina, no evento, os dois dividindo a alegria pelo telefone. Para ele, o hip hop salva vidas. “É muito bonito ver a juventude tendo a possibilidade de sonhar a partir da música, da arte, da cultura”, afirma.

A jornalista Juliana Wanderley, a Taja Preta, chegou no fim de 2022 e hoje cuida da direção e da busca de dinheiro para os eventos. Ela é a única mulher negra e LGBTQIAPN+ à frente de uma roda cultural na comunidade. Segundo ela, o dinheiro que a Roda recebe volta para a própria favela, com a contratação de frete, lona e comerciantes locais. “A margem se torna o centro. A Cidade de Deus se torna o centro da cultura”, explica.

Juliana Wanderley é a de rosa Foto: Reprodução

Mas o caminho não foi fácil. Operações policiais, falta de dinheiro, machismo e preconceito estão entre os desafios. O primeiro edital veio em 2022, da Funarte. Depois, a Roda virou Ponto de Cultura reconhecido pelo Ministério da Cultura e fez parceria com a Secretaria Municipal de Cultura. TH Lima lembra também da Lei 10.180, da deputada estadual Dani Monteiro, que leva o hip hop para as escolas.

Na festa de 10 anos, a Roda recebeu a rapper Camila CDD, uma das maiores referências do rap carioca. “A gente consegue honrar as nossas raízes e, ao mesmo tempo, mostrar que a gente vai muito além”, diz Juliana.

Para os próximos 10 anos, o sonho é alcançar ainda mais jovens. Juliana quer mais artistas de graça na Quadra do Lazer, mais editais e mais apoio do governo para todas as rodas e batalhas. TH Lima quer que a molecada troque a arma pela caneta e pelo microfone. Caio pensa em um dia passar a bandeira para quem tiver o mesmo sonho. “Enquanto há vida, há esperança”, resume TH Lima.

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É sobre ser resistência Foto: Reprodução

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Cultura hip hop é ferramenta de transformação Foto: Reprodução