Depois de mais de cinco anos de espera, a família de Kathlen de Oliveira Romeu vai finalmente ver os policiais acusados de matar a jovem sentados no banco dos réus. O júri popular está marcado para o dia 26 de novembro, às 10 horas, no II Tribunal do Júri da Capital.
Vão a julgamento os policiais militares Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano. Para o Ministério Público do Rio de Janeiro, foram eles que dispararam os tiros que mataram a jovem. Os dois respondem ao processo em liberdade.
Kathlen tinha 24 anos, era modelo e trabalhava com design de interiores. Ela estava grávida de quatro meses. No dia 8 de junho de 2021, foi visitar a avó no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio. Quando saiu da casa da avó e andava pela rua, foi atingida no peito por um tiro de fuzil. Kathlen não resistiu. O bebê também não sobreviveu.
O que diz a acusação
Segundo a denúncia do Ministério Público, os policiais faziam um patrulhamento na comunidade quando avistaram um grupo de pessoas no local conhecido como Beco da 14. Os agentes atiraram na direção dessas pessoas, que correram e não foram atingidas. Um dos tiros acertou Kathlen, que passava pela rua ao lado da avó.
Na época em que a jovem morreu, a Polícia Militar deu outra versão. A corporação disse que os agentes tinham sido atacados por criminosos e que houve confronto. A família de Kathlen sempre negou que existisse tiroteio naquele momento.
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Um caminho longo até o julgamento
O caso demorou anos para chegar ao júri. Em março de 2025, a juíza Elizabeth Machado Louro, da 2ª Vara Criminal, decidiu que os dois PMs deveriam ser julgados por um júri popular. Para ela, os laudos da perícia e o exame feito no corpo de Kathlen mostram que existem provas suficientes para levar o caso a julgamento.
A defesa dos policiais recorreu e pediu que eles fossem soltos da acusação sem passar pelo júri. Em setembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio negou esse pedido, por decisão de todos os desembargadores. O tribunal entendeu que existem versões diferentes sobre o que aconteceu e que cabe ao júri decidir qual delas é verdadeira.
Outro processo correu em paralelo. Três policiais foram acusados de mexer no local do crime, apresentando cápsulas de bala para fazer parecer que tinha havido um confronto. Em agosto de 2025, a Justiça Militar absolveu todos. O Ministério Público recorreu e, em março de 2026, o Tribunal de Justiça condenou os três a dois anos e 15 dias de prisão em regime aberto, mais multa. A mãe de Kathlen usou as redes sociais para criticar a pena, que considerou pequena diante do tamanho da perda.
O que é um júri popular
No júri popular, quem decide não é o juiz sozinho. Sete pessoas comuns são sorteadas para formar o chamado Conselho de Sentença. Elas escutam a acusação, a defesa e as testemunhas. Depois, votam em segredo se os réus são culpados ou não.
Se os jurados disserem que os policiais são culpados, o juiz define o tamanho da pena. Se disserem que não, os dois são absolvidos e o caso se encerra, a não ser que haja recurso.
