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5 anos Sem Justiça: PMs são condenados por fraude, mas júri pela morte de Kathlen Romeu segue indefinido

Jovem negra de 24 anos, grávida, foi morta com tiro de fuzil no Lins em 2021. Agentes que atrapalharam investigação pegaram pena leve, enquanto a principal decisão ainda não chegou

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Julgamento Kathlen Romeu (Foto: Vilme Ribeiro/Voz das Comunidades)
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Parece que foi ontem, mas já vai fazer cinco anos. No dia 8 de junho de 2021, a designer de interiores Kathlen Romeu, de 24 anos, grávida de 13 semanas, foi atingida no peito por um tiro de fuzil enquanto caminhava com a avó dentro do Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio. O caso parou o país, virou símbolo da violência policial nas favelas, mas a justiça que a família espera desde então ainda está longe de ser completa.

A Justiça do Rio condenou três policiais militares por terem mudado a cena do crime. A investigação comprovou que os PMs Rodrigo Correia de Frias, Marcos Felipe da Silva Salviano e Rafael Chaves de Oliveira jogaram cápsulas de munição e um carregador de fuzil no chão para fingir que tinha acontecido um confronto armado, versão que nunca existiu. A própria polícia civil concluiu que não houve troca de tiros naquele beco. Ou seja, os agentes tentaram culpar a vítima depois de morta para proteger os colegas.

A luta por justiça continua. (Foto: Airá Ocrespo / Reprodução)

A fraude processual rendeu uma condenação pequena para cada um: dois anos e quinze dias de reclusão, que nem vão precisar cumprir presos porque a pena foi convertida em regime aberto e suspensa por três anos. Só terão que pagar uma multa. Foi uma vitória parcial e muito dolorida para a família. A absolvição inicial dos envolvidos tinha sido revertida, mas a sensação de impunidade continuou pesando.

Mas o principal ainda está parado. Dois dos policiais condenados pela fraude, Frias e Salviano, também respondem por homicídio num processo separado. O Tribunal do Júri, que deveria decidir se eles são culpados pela morte de Kathlen e do bebê que ela esperava, simplesmente não tem data para acontecer. Com quase cinco anos de espera, a família segue sem a resposta que realmente importa: quem vai ser responsabilizado por ter tirado uma vida inocente? Porque condenar policial que atrapalha investigação é um passo, mas a verdadeira justiça ainda está atravancada.

Missa em Memória

Neste dia 8 de junho, segunda-feira, às 19h, será celebrada uma missa em memória dos cinco anos sem Kathlen Romeu e seu bebê. A cerimônia acontecerá na Paróquia Santa Bernadete, localizada na Av. dos Democráticos, 896, Higienópolis (ao lado do Abrigo Cristo Redentor).