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Como a maternidade transformou a Barbie CPX em uma potência do empreendedorismo

Tatuadora, estrategista digital e mãe solo, Liana Jordes Monteiro rompeu o ciclo da invisibilidade para se tornar referência no Complexo do Alemão

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades
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Liana Jordes Monteiro, 26 anos, sabe que a primeira impressão pode enganar. Conhecida no Complexo do Alemão e nas redes sociais como “Barbie”, ela carrega um apelido que, à primeira vista, remete à delicadeza. Mas basta observar o movimento firme de suas mãos operando a máquina de tatuar ou a forma como gerencia sua marca, a @lmtattoo.cpx, para entender que essa “Barbie” é feita de aço e resiliência.

A trajetória de Liana é um mapa de recomeços. Criada por uma mãe solo que sempre foi seu maior exemplo de garra, ela aprendeu cedo que a independência não é um presente, mas uma conquista diária. Após passagens pelas favelas do Jacaré, Manguinhos e Tijuca que incluíram prejuízos financeiros de R$ 10 mil e mudanças feitas a pé entre comunidades, a empreendedora entendeu que precisava de mais do que talento artístico: precisava de estratégia para proteger seus sonhos e sua família.

Foto: Vilma Ribeiro/ Voz das Comunidades

“As pessoas viam o sucesso, mas não viam a gente fazendo mudança andando, carregando tudo na mão do Jacaré até Manguinhos. A gente fez duas viagens a pé pra não deixar o sonho morrer.”

Foi sob o incentivo dessa rede de apoio feminina que ela pegou na máquina de tatuar pela primeira vez, ainda na adolescência. A virada de chave aconteceu quando Liana decidiu transformar sua frágilidade em conexão. Ao engravidar de Maria Júlia, enfrentou o medo da invisibilidade profissional. Atendendo em um espaço simples, sem porta e cercado pela poeira de obras, ela superou a vergonha para mostrar a “vida real” nas redes sociais. Dominou a edição de vídeos, entendeu o algoritmo e transformou o cotidiano de uma mãe tatuadora na favela em uma vitrine de sucesso.

“Eu peguei o celular e falei: ‘vou gravar’. Eu precisava passar a mensagem de que eu era uma mãe tatuadora na favela, lutando pra ter o meu dinheiro e sustentar a minha filha”, conta.

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Liana não romantiza o cansaço. Ela admite que a rotina de cuidar da filha e gerenciar um negócio “suga a alma” por vezes, mas se recusa a ocupar o lugar de vítima. “Eu sou muito, muito insistente”, reforça. Para ela, cada tatuagem finalizada e cada vídeo postado é um degrau a mais na construção do futuro de Maria Júlia, a quem ela deseja dar um horizonte sem muros, repleto de estudo e paz.

“Eu sempre tive esse espírito de montar planos. Eu arquitetava tudo: ‘tá ruim aqui? Então vou tirar daqui e tentar fazer aquilo’. Eu seguia o passo a passo. Hoje, sendo mãe, não é tão fácil seguir o plano à risca, mas eu insisto. Eu sou muito, muito insistente”, declara.

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Ao olhar para tudo o que construiu, Liana se reconhece com a dignidade de quem venceu pelo próprio esforço: “Eu espero que minha filha se espelhe em mim. Eu sentiria orgulho de uma mãe como eu.”

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