No dia 7 de dezembro, domingo ensolarado no Rio de Janeiro, a Praça da Apoteose, na Marquês de Sapucaí, virou palco do funk carioca. A pista se abriu para realização da 15ª edição do Rio Parada Funk. Com os portões abertos desde 12h45min, o evento trouxe mais de 400 artistas entre DJs, MCs e equipes de som. E o público, mais uma vez, correspondeu com força, que lotou a área para celebrar o ritmo que pulsa nas favelas e periferias do Rio.
A entrada era gratuita, mas ainda assim o público foi solidário, com cada pessoa doando 1 kg de alimento não perecível na entrada. Ao longo da pista, os ritmos se encontraram em paredões, desde os antigos ritmos até os mais atuais. “Minha casa! Aqui é minha casa, p#rra!” celebrou Valdete Santos, 52 anos, cria de Vigário Geral. “Isso aqui é pra gente! Pra gente da favela.”
O Rio Parada Funk reuniu artistas consagrados e novatos, literalmente um encontro entre gerações. Foi assim que o MC GR10, de Madureira, avaliou o evento, que participa pela primeira vez. “É um sonho. É ver mais do nosso movimento. É representativo demais ver um evento que abrange toda a nossa galera do funk”. DJ Marlboro, ícone do funk carioca e um grandes nomes do ritmo no Brasil concorda com GR10. “A gente vê a galera do soul, do trap, do funk atual, dos bailes antigos, tudo no mesmo cenário. Isso aqui é uma celebração.”


Além dos shows, o evento preservou tradições como a Batalha dos Barbeiros, idealizada pela profissional Érica Nunes. No Rio Parada Funk, a competição contou com mais de 100 barbeiros e introduziu pela primeira vez a categoria feminina para maiores de 17 anos, “um sucesso”, segundo Érica Nunes, criadora e organizadora da Batalha dos Barbeiros. Ainda dentro do evento, a Batalha dos Barbeiros correu atrás de uma meta ambiciosa: alcançar um recorde mundial com uma disputa de “maior corte do mundo”, reunindo 400 competidores simultâneos. Entre os barbeiros que participaram deste ano está Eduardinho, de Bangu, que se diz orgulhoso de representar sua profissão e estar inserido na cultura do funk. “É uma competição, mas valoriza o nosso trabalho, a nossa profissão. É importante demais pra cada um de nós estarmos aqui no Rio Parada Funk.”



Entre os artistas, Valeska fez a plateia cantar e vibrar com clássicos. O evento também teve Menor do Chapa, Monix Pix, MC Kael, FP do Trem Bala, Rennan da Penha, além de muitas outras atrações. Esse encontro de ritmos foi prestigiado pela deputada Verônica Lima, responsável pela lei que fez do funk e do passinho patrimônios imateriais do Rio de Janeiro. “É muito importante fomentarmos a cultura periférica, da favela, que é referência para a nossa juventude. E o Rio Parada Funk faz parte disso tudo.”
Rene Silva, um dos organizadores do evento, também falou sobre. “Eu cheguei agora. Mas já acompanhava há anos, desde quando era no Centro, né? E é ótimo ajudar a celebrar a cultura musical das favelas e periferias do Rio.”

O Rio Parada Funk, completando 15 anos nesta edição, reafirma que o funk carioca continua mais vivo do que nunca, promovendo encontros, inspirando novos talentos e abraçando ícones que ajudaram a construir o movimento do funk no Rio de Janeiro, no Brasil e no mundo. A Sapucaí, por um dia, foi da favela.
Confira galeria de fotos do evento:















