Ir para o conteúdo

Dia Mundial do Hip Hop: Iury BKD movimenta cena hip-hop da Zona Oeste com poesia e arte 3D 

Cria do Rodo, artista visual une design, rima e resistência na Batalha da Glacial, um dos polos culturais mais ativos da região

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades
Ouça este conteúdo
00:00 00:00
Leitura pronta para iniciar

Dentro do hip-hop, cada elemento pulsa como força vital nas periferias do Rio. E é na Zona Oeste que esse movimento ganha cada vez mais expressão. Berço de artistas que transformaram o cenário cultural da cidade, o território segue revelando novos nomes. Um deles é Iury Andrade, conhecido como Iury BKD, artista visual e designer 3D que tem reinventado a maneira de comunicar a arte das ruas. 

Cria da favela do Rodo, em Santa Cruz, Iury é também um dos organizadores da Batalha da Glacial, que movimenta o bairro com batalhas de MCs, grafite, dança e poesia. À frente da produção e da curadoria do evento, ele tem como missão fortalecer a cena local, com foco na sustentabilidade financeira e na inclusão de novos artistas. 

Criada em 2021, a Batalha da Glacial nasceu no campo do Balinha, em Santa Cruz, e hoje acontece semanalmente no centro do bairro. O evento reúne MCs, poetas, grafiteiros e dançarinos, além de abrir espaço para apresentações musicais e exposições. 

Iury BKD é um dos organizadores da roda cultural que movimenta o hip-hop na Zona Oeste do Rio Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

“A gente fala que é o movimento do hip-hop, não apenas uma batalha. Sempre tentamos valorizar todos os elementos da cultura. Tem o grafite, o break, o microfone aberto para poesia e música”, explica Iury. 

No Rio, as rodas culturais surgiram como encontros comunitários que ocupam praças e espaços públicos para celebrar a arte e a resistência. A partir dos anos 2010, elas se multiplicaram, conectando juventude periférica, territórios de baixa infraestrutura e artistas urbanos, que transformaram o lazer em um movimento político e cultural. 

Além da organização da batalha, Iury tem se destacado por integrar o design 3D à estética do hip-hop, desenvolvendo visuais e animações inspirados na linguagem das ruas.  

“Sempre gostei de animação e, quando comecei a trabalhar com 3D, quis trazer o rap de alguma forma. Fiz o EP Poema pra Paixão, com três poesias faladas e visualizações em 3D, como forma de mostrar meu trabalho. É um jeito de unir o que eu escrevo com o que eu vejo”, explica. 

Hip-hop como economia da favela 

Atualmente, a equipe da Batalha da Glacial se prepara para comemorar quatro anos de existência, em 6 de dezembro, com shows, batalhas e homenagens a artistas locais. O evento, gratuito, conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura. “A gente correu atrás de edital para fazer essa temporada inteira. É necessário que o movimento converse com o poder público. A cultura não pode ficar batendo de frente com o Estado o tempo todo; tem que ter parceria para entregar o melhor”, afirma. 

Nota [explicativa]: Os cinco elementos do hip hop são o DJ, o MC, o breakdance, o grafite e o conhecimento (também chamado de quinto elemento). O último foi adicionado por Afrika Bambaataa, importante pioneiro do hip hop e envolve a história, a filosofia e a consciência social do movimento.