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Refugiada colombiana, cozinheira Nelly Camacho adotou o Brasil como novo lar e compartilha raízes com a comida: “Me sinto em casa”

Cozinheira que fugiu da violência armada na Colômbia reconstrói a vida no Brasil e leva a cultura de seu país para eventos e feiras gastronômicas cariocas

Foto: Uendell Vinicius/Voz das Comunidades
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Nascida em Granada, departamento de Meta, na Colômbia, a cozinheira Nelly Camacho Barbosa vive uma nova vida no Brasil repleta de memórias de um passado repleto de violência. Após viver anos dentro de um cenário de paramilitarismo em sua terra natal, ela não encontrou outra opção além de sair do país. E foi no Brasil em que ela encontrou refúgio.

Presente com a cozinha Sabores da Nelly na inauguração da exposição ‘Universos das Vozes: Imagens de um Futuro que Resiste’, na Casa Voz do Vidigal, criada em parceria entre o Voz das Comunidades (Brasil) e o Universo Centro (Colômbia), Nelly Camacho celebrou o sucesso da comida no evento, que contou com arepas, empanadas e o tradicional arroz com banana-da-terra e camarão.

As pessoas provavam um prato, depois queriam outro e voltavam várias vezes. Foi emocionante ver o carinho e a receptividade. Nós somos a extensão da Colômbia no Brasil.

Foto: Uendell Vinicius/Voz das Comunidades

O sucesso com a culinária nem sempre existiu. Antes de cativar os cariocas com comida colombiana, Nelly Camacho era professora no departamento de Meta, na Colômbia. Entretanto, após grupos armados colocarem a vida de seus filhos em risco no país, decidiu abandonar tudo durante uma madrugada e se refugiar em um novo lugar. E foi quando ela escolheu o Brasil.

No Rio de Janeiro, encontrou um novo começo. Hoje, divide-se entre o tempo com a família e o trabalho na gastronomia, onde compartilha sabores e memórias de sua terra natal. Em eventos e feiras, como na Feira da Glória, apresenta pratos típicos da Colômbia, das arepas às empanadas.

Foto: Uendell Vinicius/Voz das Comunidades

A cozinha, que já foi espaço de resistência e sobrevivência em tempos de violência, tornou-se no Brasil uma ponte cultural e uma forma de cura. “Eu cheguei com depressão, medos e traumas. Através da comida, consegui me libertar, falar da minha história sem chorar e mostrar minha cultura para os brasileiros”, afirma.

Entre memórias dolorosas e conquistas recentes, ela resume seu sentimento: “Hoje me sinto 50% brasileira e 50% colombiana. Sou grata pelo acolhimento do Rio, pela solidariedade das pessoas e pela oportunidade de recomeçar. Aqui, não me sinto estrangeira. Aqui, me sinto em casa.”

Foto: Uendell Vinicius/Voz das Comunidades

Não à toa, com sua experiência, ela reflete sobre o fluxo de imigração ao redor do mundo e defende que as pessoas busquem recomeços em lugares seguros, se possível. “É possível se refugiar em outro país e encontrar um recomeço. Não existe nada pior do que aquilo que deixamos para trás. O mundo é violento com a gente, mas há lugares para a paz e para novos começos.“.