Márcio Nepomuceno, mais conhecido no passado como Marcinho VP, está ressignificando sua história. Preso há 29 anos, ele acaba de lançar o romance “A Cor da Lei”, escrito dentro da cela que hoje funciona como sala de aula, biblioteca e espaço de reconstrução. A renda da obra será revertida integralmente ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro.
O livro retrata a trajetória de Eduardo, jovem negro que tenta romper com os estigmas sociais e familiares impostos por um sistema que criminaliza sua cor, seu CEP e sua cultura. A história, inspirada em experiências vividas e observadas por Márcio, denuncia a seletividade penal e o racismo estrutural no Brasil. “A Cor da Lei” traz como pano de fundo a marginalização de expressões periféricas como o rap, o trap e o grafite, que seguem sendo confundidos com apologia ao crime.

“A única arma que nenhum ser humano deve temer é o livro”, afirma Márcio, hoje membro da Academia Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC), onde ocupa a cadeira nº 1, que homenageia Graciliano Ramos. A ABLC incentiva leitura e escrita entre pessoas presas ou egressas do sistema prisional, com foco na reinserção social por meio da literatura.
