Por: Lorran Vitor
Após dez anos desde a primeira Marcha, a terça-feira (25) marcou um novo capítulo na luta dos Movimentos Negros no Brasil e no mundo. Mais de 300 mil mulheres, entre quilombolas, ribeirinhas, mulheres do campo, faveladas, acadêmicas, artistas, trabalhadoras, meninas, mães, jovens e anciãs, reivindicaram por uma democracia que escute, repare e cuide de seus corpos e das injustiças que os atravessam. O movimento, que reuniu diversas personalidades, deixou um recado claro: são as mulheres negras que movimentam as estruturas do país.
Em conversa, a diretora da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, destacou: “Tudo que tem sido construído neste país foi erguido pelo braço e pela força das mulheres negras. A maioria de nós viemos da favela.” Ela também afirmou: “A favela enxergou um país melhor e agora reivindica mudanças. Fim do racismo, fim da violência e reparações. A gente quer o bem-viver.”
Durante a Marcha, quatro carros de som conduziram a multidão. Neles, se apresentaram ativistas, políticas e pensadoras negras. Em seu discurso, Conceição Evaristo afirmou: “Nós queremos a liberdade agora. A liberdade para poder viver.”
Durante a Marcha, mulheres liam o manifesto que foi desenvolvido para finalizar as reivindicações exigidas. Entre as exigências, as mulheres negras reforçaram que a pauta central da Marcha é a Reparação como condição indispensável para qualquer projeto de democracia no Brasil.
O documento afirma que não há bem-viver possível sem ações concretas que enfrentem os danos da escravidão e da colonização, ainda presentes nas estruturas do país. Ao reivindicar redistribuição de riquezas, garantia de direitos, memória, justiça racial e autonomia política, o manifesto sustenta que Reparação e Bem Viver são caminhos inseparáveis para reinventar o presente e construir um futuro em que todas as pessoas caibam.
Leia o manifesto: Manifesto das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver – Marcha Das Mulheres Negras 2025
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