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Ex-tenente do Exército, responsável por execução de jovens na Providência, pega 63 anos de cadeia

Crime ocorreu em 2008; famílias das vítimas aguardaram 18 anos por justiça

Foto: Reprodução/Bruno Martins
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A Justiça Militar condenou o ex-1º tenente do Exército Vinicius Ghidetti de Moraes Andrade a 63 anos de prisão pela morte de três jovens moradores do Morro da Providência, no Centro do Rio. As vítimas são Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, David Wilson Florenço da Silva e Marcos Paulo Rodrigues Campos. O caso aconteceu em 14 de junho de 2008 e demorou 18 anos para ter uma resposta da Justiça.

Naquele dia, os três rapazes foram abordados por militares do Exército que estavam na comunidade durante a Operação Cimento Social. Em vez de serem levados para uma delegacia, eles foram colocados em um carro e levados para o Morro da Mineira, que era dominado por um grupo armado rival. Segundo a sentença, os jovens foram entregues aos que estavam naquele morro. Logo depois, os três foram mortos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Especial de Justiça do Exército, que é o grupo de juízes militares responsável por julgar oficiais das Forças Armadas. O voto foi unânime, ou seja, todos os julgadores concordaram com a condenação. Eles entenderam que o ex-tenente cometeu três homicídios triplamente qualificados. Isso quer dizer que a Justiça considerou as mortes ainda mais graves, porque as vítimas não tiveram como se defender e porque o crime foi feito de um jeito cruel e planejado.

Quase duas décadas sem respostas

Para as famílias, a condenação chega tarde, mas chega. Foram quase duas décadas indo a audiências, contando a mesma história muitas vezes e vendo o processo mudar de mãos. O caso saiu da Justiça comum e foi parar na Justiça Militar, o que atrasou ainda mais o julgamento. Nesse tempo, mães, pais e irmãos precisaram conviver com a dor da perda e com a sensação de que ninguém ia pagar pelo que fizeram com os seus.

O caso da Providência ficou marcado como um dos episódios mais graves envolvendo militares em favelas do Rio. Ele mostra o que muitas famílias de favela já conhecem de perto, que é o medo de sair de casa e não voltar, e a dificuldade de conseguir que a Justiça olhe para essas mortes com a mesma seriedade com que olha para outras.

A condenação não traz Wellington, David e Marcos Paulo de volta. Mas coloca no papel, de forma oficial, o que as famílias sempre disseram: aqueles jovens não estavam em confronto nenhum. Eles foram levados por quem deveria protegê-los e entregues para morrer. Para muita gente da Providência, a decisão é um recado de que a vida de morador de favela também tem valor e que crime cometido com farda também pode dar cadeia.

O ex-tenente ainda pode recorrer da decisão, o que significa pedir para uma instância mais alta rever o julgamento.

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