De olho no sufoco que muita gente passa nas favelas cariocas por causa de enchentes e falta de urbanização, a Câmara do Rio viabilizou um pacote robusto de intervenções em áreas que há anos vivem esse tipo de aperto. Os vereadores autorizaram a Prefeitura a contratar um empréstimo de R$ 882,8 milhões junto à Caixa Econômica Federal, no âmbito do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), com garantia da União.
O dinheiro será usado em três frentes urgentes: o controle de enchentes na bacia do Rio Acari e a urbanização do Complexo do Alemão e da Rocinha. A justificativa é clara: são regiões com forte vulnerabilidade social, histórico de alagamentos e problemas antigos de drenagem, habitação e mobilidade.
“Na revisão do Plano Diretor, a Câmara garantiu pela primeira vez um capítulo específico para as favelas, justamente para que essas áreas recebam mais investimentos em urbanização e melhorias essenciais. Por isso, é positivo ver que o projeto já direciona parte do empréstimo para duas grandes comunidades e para uma região que enfrenta graves problemas de inundação”, destacou o presidente da Casa, Carlo Caiado (PSD).
Qualidade de vida
Parte do investimento vai para a bacia do Rio Acari, uma das maiores e mais problemáticas da cidade, com 107 km². O sistema de drenagem opera com só 20% da capacidade necessária — cenário que explica episódios como a inundação de 2013, que atingiu mais de 50 mil pessoas. O projeto prevê a canalização de 3,8 km do rio, entre a Avenida Martin Luther King e o Rio Pavuna-Meriti, beneficiando cerca de 63 mil moradores de Vigário Geral, Jardim América, Parque Colúmbia, Irajá e Acari.
No Alemão, as obras entram pelo programa Novo PAC Periferia Viva, com novas redes de água e esgoto, drenagem, contenção de encostas, iluminação pública, áreas de lazer, urbanização de trechos remanescentes, regularização fundiária e ações sociais.
Já a Rocinha, maior favela do país, deve receber intervenções para melhorar mobilidade e qualidade de vida, como planos inclinados, ampliação de vias como a Rua do Valão, requalificação de corpos hídricos, melhorias no parque ecológico, construção de moradias para reassentamento, além de um novo terminal de transportes e um mercado popular.

(Divulgação: Prefeitura do Rio/Rafael Catarcione)
Obras no Jardim Maravilha
| A Câmara também autorizou, no ano passado, a Prefeitura a contratar R$ 950 milhões para obras em várias comunidades, como parte do programa Bairro Maravilha. Em março, foi entregue a primeira etapa das intervenções no Jardim Maravilha, em Guaratiba, com drenagem, redes de água e esgoto, pavimentação e calçadas acessíveis. Em novembro, começou a segunda fase, que inclui a construção de um dique de 3,4 km e reservatórios que formarão um parque fluvial para evitar alagamentos. |
