Ela fundou o movimento ‘Mães de Manguinhos’ e passou a acolher famílias que compartilham da mesma dor. Anos de dedicação a tornaram referência no Rio e mundo afora: Ana Paula de Oliveira é a vencedora de 2025 do prêmio Martin Ennals, de Genebra, na Suíça.
Desde que seu filho Johnatha morreu, aos 19 anos, com um tiro nas costas, em Manguinhos, Zona Norte do Rio, Ana Paula de Oliveira encontra força na luta pelo direito à vida da população negra. O ativismo, segundo ela, foi a alternativa que encontrou para continuar sendo mãe de Johnatha, cuidando de sua memória e em busca de responsabilização dos autores do crime.

“Para mim, é muito simbólico, ainda mais depois do que aconteceu na Penha e no Alemão, quando várias mães perderam seus filhos. É uma forma de se ter alguma justiça. Eu tive um filho assassinado pela polícia e até hoje ninguém foi responsabilizado. Nem o policial, nem o estado. Mas eu não vou desistir. Ter a responsabilização é evitar que isso se repita e receber esse prêmio lá fora pode fortalecer a denúncia do alto índice de letalidade policial e do racismo na nossa sociedade”, conta Ana Paula.
O prêmio reconhece os defensores de direitos humanos que mais se destacaram na avaliação de um júri composto por dez organizações líderes do movimento de direitos humanos. A cerimônia de premiação acontece no dia 26 de novembro, e Ana Paula estará lá.
