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Alerta de informação: O papel da Defesa Civil nas favelas do Rio de Janeiro

Conjunto de órgãos públicos atua para prevenir, mitigar, preparar, responder e recuperar desastres naturais ou provocados pelo homem

Nas favelas, encostas são áreas de risco, principalmente no período de chuvas no município Foto: Lorran Vitor / Voz das Comunidades
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Fernando da Silva, morador do Complexo do Alemão, viu o que construiu ao longo de dez anos ser destruído em instantes. Residente da localidade conhecida como Largo do Metralha, Fernando assistiu à sua casa ser levada encosta abaixo pela chuva forte que castigou o Rio de Janeiro em meados de fevereiro. “Sinto uma tristeza profunda, uma angústia no coração. Nós sabíamos do perigo, mas iríamos para onde? Minha única gratidão é pela vida da minha esposa e da minha filha”, relatou ele. Mesmo atravessando um momento difícil, o morador já projetava um recomeço para ele e para sua família.

 Nas favelas, encostas são áreas de risco, principalmente no período de chuvas no município Foto: Lorran Vitor / Voz das Comunidades

Ainda que a história tenha um final de esperança, infelizmente, episódios como este são recorrentes em favelas, especialmente em áreas de risco. Diante de um desastre climático, o morador muitas vezes fica sem ação. Para quem ligar? O que fazer? Nestas situações, o braço do Estado que atua na ponta é a Defesa Civil.

Identificada pelos emblemáticos coletes laranjas, o órgão vai muito além do socorro pós-tragédia. Embora atue na assistência e reconstrução, sua função primordial é a prevenção, especialmente em terrenos de geografia instável.

A Defesa Civil opera nas esferas federal, estadual e municipal. No Rio, a sede fica em Vila Isabel, mas a gestão estratégica acontece no Centro de Operações Rio (COR), de onde as equipes são coordenadas para atender toda a cidade. Rodrigo Gonçalves, subsecretário da Defesa Civil municipal, ressalta o trabalho integrado: “Temos uma gerência de monitoramento para acompanhar de perto o Alerta Rio. Junto aos meteorologistas, monitoramos núcleos de chuva que possam atingir a cidade e, a partir da confirmação, iniciamos os protocolos de comunicação com a população”.

Uma das principais ferramentas de prevenção nas comunidades é o sistema de alerta e alarmes. “São 164 sirenes distribuídas em 103 comunidades. Nossas equipes testam os equipamentos constantemente. O disparo também pode ser feito de forma manual e é vital que a população saiba como agir quando elas tocam”, explica o subsecretário. Além da tecnologia, o treinamento é um pilar essencial. “Capacitamos as equipes para que, no momento do risco, não tenhamos vidas perdidas para as chuvas de verão”, pontua Rodrigo. Ele salienta que a participação popular nestes treinamentos também são muito importantes. “A gente distribui até uma camiseta que vem com cinco frases bem fáceis pro morador já saber de cor: desligar a energia, fechar o registro de gás, pegar somente documentos e remédios e animais de estimação, se tiver. São cinco ações simples que o morador, quando ouvir o toque da sirene, tem que fazer para se sair daquela situação de risco e procurar um ponto de apoio da sua região”.

Centro de Operações Rio, Rodrigo Gonçalves gerencia equipes da Defesa Civil no Rio de Janeiro
Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades

Saber quem chamar

O subsecretário detalha como o morador deve proceder em situações de emergência. “Se houver vítimas, o contato direto é o 193, do Corpo de Bombeiros. Atuamos juntos sempre que necessário. Agora, se você notar uma situação anormal, como rachaduras, postes inclinados, deslizamentos de terra ou pedras rolando, e não houver vítimas, o número é o 199. A Defesa Civil enviará técnicos para realizar a vistoria e o atendimento adequado”.

Os desafios são complexos nas comunidades do Rio, principalmente por conta da geografia. Favelas da Zona Sul como Rocinha e Vidigal tem uma geografia muito diferente de favelas como o Cojunto de Favelas da Maré e Acari. Ainda assim, o trabalho da Defesa Civil é incansável e muito necessário para garantir que vidas sejam salvas diante de um evento climático severo, como as chuvas que atingem o Rio de Janeiro anualmente. É transformando incerteza em uma rede de proteção real para quem vive na favela.

A Defesa Civil dispara diferentes tipos de mensagens para os moradores para alertas climáticos.

  • Podem se cadastrar por SMS, através do número 40199, mandando o CEP da sua residência.
  • No WhatsApp, é só mandar um oi para 61 2034-4611. Lá, a pessoa também cadastrar o CEP e passa a receber alertas. É possível colocar até 5 CEPs nessa modalidade.