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Observatório do Calor amplia atuação, chegando a Manguinhos e Salgueiro

Projeto, que nasceu no Complexo do Alemão, ganha novos pontos de monitoramento e fortalece produção de dados sobre calor extremo em territórios periféricos do Rio.

Foto: Rafael Costa / Voz das Comunidades
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O combate aos impactos da crise climática nas favelas do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo na última quarta-feira (11). Durante evento realizado no Teatro Carlos Gomes, no Centro donRio, foi anunciada a expansão do Observatório do Calor, iniciativa que monitora os efeitos das altas temperaturas em territórios periféricos. O projeto agora passa a contar com dois novos núcleos: Complexo de Manguinhos, na Zona Norte, e Morro do Salgueiro, no Andaraí.

A ideia surgiu a partir de uma experiência piloto no Complexo do Alemão que produz dados climáticos diretamente dentro das favelas, territórios que frequentemente ficam invisibilizados de políticas públicas.

À frente da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima, a secretária Tainá de Paula destacou que o projeto é fundamental para identificar os impactos do calor extremo nos territórios mais vulneráveis da cidade. “O calor extremo e a poluição do ar são riscos sérios à saúde, especialmente em áreas vulneráveis. O Observatório do Calor nos permite entender melhor esses impactos de forma localizada e agir de forma direcionada para proteger a população”, afirmou a secretária durante o lançamento da iniciativa.

Uma das responsáveis pelo desenvolvimento do projeto, a geógrafa e moradora do Alemão, Gabriela Conc, explica que as características urbanas das favelas contribuem para a formação das chamadas “ilhas de calor”. “As moradias são muito próximas, em sua maioria construídas com concreto, laje e telha de fibrocimento ou zinco, materiais que absorvem e acumulam calor ao longo do dia. Além disso, há pouca arborização e a circulação de ar fica comprometida pela forma como o território foi se verticalizando”, afirma.

Segundo ela, os dados coletados mostram que o calor dentro das favelas não é apenas uma sensação térmica, mas uma condição ambiental concreta. “Quando medimos a temperatura dentro do Alemão e comparamos com dados oficiais de outras regiões da cidade, a diferença aparece com clareza, sobretudo nos dias de calor extremo”, explica.

Além de medir temperatura e umidade, o Observatório do Calor também busca traduzir os impactos climáticos na vida cotidiana dos moradores. O projeto promove rodas de conversa, formação comunitária e ações de conscientização ambiental. “Ninguém precisa ser convencido de que o calor está mais forte, as pessoas sentem isso no corpo. O nosso trabalho é transformar essa vivência em dados, em informação e em argumento político”, diz Gabriela.

Entre as soluções discutidas estão medidas conhecidas como Soluções Baseadas na Natureza, como reflorestamento urbano, criação de jardins de chuva, recuperação de encostas e incentivo a telhados verdes, iniciativas que ajudam a reduzir a temperatura, melhorar a qualidade do ar e aumentar a capacidade de adaptação dos territórios às mudanças climáticas.

Para Gabriela Conc, enfrentar a crise climática exige olhar para as favelas como parte central das soluções. “Preservar o meio ambiente não pode ser tratado como responsabilidade individual dos moradores. É um direito coletivo que precisa ser garantido pelo Estado, com participação popular e políticas públicas pensadas a partir da realidade do território”.

Com a ampliação do Observatório do Calor, moradores de diferentes favelas passam a ter ferramentas para acompanhar e compreender os efeitos das mudanças climáticas em seus próprios territórios, fortalecendo a produção de dados a partir das comunidades e ampliando o debate sobre justiça climática na cidade.

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