Conviver com o esgoto a céu aberto ainda é uma realidade para muitas famílias que vivem em comunidades. A falta de infraestrutura adequada impacta diretamente a saúde, a segurança e a dignidade de quem precisa atravessar vielas e becos todos os dias para trabalhar, estudar ou simplesmente voltar para casa. Mas essa realidade vem, aos poucos, sendo transformada.
Na Vila Verde, uma das localidades da Rocinha, moradores que enfrentaram por mais de três anos o mau cheiro, o acúmulo de lixo e os riscos à saúde agora celebram com a mudança de rotina. A Águas do Rio, empresa do grupo Aegea, concluiu uma obra de saneamento que eliminou o esgoto a céu aberto que cortava a região, trazendo mais qualidade de vida para mais de 700 pessoas.

A intervenção incluiu a substituição de 30 metros de rede de esgoto, a construção de dois poços de visita e o aumento do diâmetro da tubulação, o que ampliou a capacidade de escoamento e reduziu significativamente as chances de entupimentos e extravasamentos.
Moradora da Vila Verde há 38 anos, Rosa Lúcia Domingues, de 58 anos, relembra como era conviver com o problema diariamente.
“Imagina sair de casa arrumada para trabalhar e ser obrigada a pisar na água suja. Essa era a minha realidade todos os dias. Teve gente que perdeu sapato na lama podre que escorria por aqui”, conta.
Além do mau cheiro e da proliferação de mosquitos, o esgoto descia pela escada do beco — a única via de acesso da localidade —, tornando o trajeto perigoso. “Já vi pessoas escorregando ali. Era um risco constante”, relembra.
Segundo Carlos Magno, coordenador de Operações da Águas do Rio, a obra representa mais do que a implantação de infraestrutura.
“Quando levamos saneamento para dentro das comunidades, estamos falando de saúde, dignidade e inclusão social. Resolver o problema do esgoto é também reduzir desigualdades e construir um futuro mais justo para quem sempre viveu à margem dos serviços básicos”, afirma.
Mais avanços no saneamento
A obra na Vila Verde faz parte de um conjunto de ações que vêm mudando, de forma gradual, o cenário do saneamento na Rocinha nos últimos anos. Regiões historicamente marcadas pela precariedade, como Roupa Suja e Linha da Morte, também já receberam intervenções, com revitalização da rede de água, limpeza e recuperação de estruturas.
Desde o início da concessão, a Águas do Rio já implantou mais de 2.400 metros de rede de esgoto e mais de 1.700 metros de rede de água tratada na comunidade. Os investimentos estão alinhados ao Marco Legal do Saneamento, que estabelece a meta de universalizar o acesso à água potável e ampliar significativamente a coleta e o tratamento de esgoto até 2033.



