Na última terça-feira (17), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC) do Rio de Janeiro lançou o programa “Mapeia Matas”. A iniciativa é um censo ambiental focado em diagnosticar o calor extremo, problemas de drenagem e a falta de áreas verdes dentro das favelas, sendo realizado por quem mais entende da realidade local: as próprias moradoras. Nesta primeira fase do projeto, o levantamento será feito em oito comunidades, incluindo o Complexo do Alemão, a Vila Cruzeiro (Penha), Praça Seca, Borel, Santa Marta, Faz Quem Quer (Rocha Miranda), Realengo e Jardim Moriçaba (Campo Grande).
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O anúncio do censo aconteceu em clima de comemoração, durante o evento que celebrou o aniversário de outros dois projetos fundamentais para as mulheres das periferias: os três anos do “Guardiãs das Matas” e o primeiro ano do “Mutirão Delas”. Com a presença da secretária Tainá de Paula, o encontro destacou a importância da força feminina na união entre a preservação da natureza, o impacto social e a geração de renda dentro dos territórios.

O “Guardiãs das Matas” já se consolidou como uma forte rede de lideranças comunitárias no Rio. Um levantamento da SMAC mostrou que 83% das participantes do projeto são mulheres negras e a maioria é chefe de família, sendo a bolsa do programa a principal ou a única fonte de renda de suas casas. Elas colocam a mão na massa na coleta seletiva, na manutenção de hortas comunitárias e na educação ambiental. O sucesso é tanto que a iniciativa já ganhou as telas internacionais em festivais de cinema, exibindo curtas-metragens produzidos pelas próprias moradoras após uma formação audiovisual.
Para marcar o aniversário de um ano do “Mutirão Delas”, as participantes também realizaram o plantio simbólico de 30 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica, como aroeira e figueira branca. O projeto faz parte do processo de modernização do histórico “Mutirão Reflorestamento” e tem uma meta clara de inclusão: aumentar a presença das mulheres na linha de frente do plantio de 6% para 30% até o ano de 2030.
Essas iniciativas atuam como peças centrais na luta contra o racismo ambiental e a injustiça climática na cidade. A conscientização e as parcerias feitas diretamente nas comunidades têm gerado resultados tão positivos que o modelo do “Guardiãs das Matas” foi reconhecido em âmbito nacional, sendo vencedor do Prêmio Periferia Viva, concedido pelo Ministério das Cidades.
