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Apesar de ações do poder público, microáreas do Complexo do Alemão ainda acumulam lixo

Diante de queixas de moradores sobre a situação, presidente da Comlurb fez vistoria no território e anunciou ações imediatas

Vistoria técnica ocorreu em 27 de maio nos pontos críticos da Canitar, Alvorada, Fazendinha e Baiana com a presença de lideranças locais e o poder público Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades
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O IBGE registrava pouco mais de 54 mil moradores do Complexo do Alemão em 2022, mas estimativas de coletivos apontam para cerca de 300 mil. Sem um levantamento oficial preciso, a comunidade vive num limbo estatístico que pesa no dia a dia. Afinal, quanto maior a população, maior a quantidade de lixo. O planejamento da limpeza, se feito para um número muito menor, pode resultar no contexto onde as calçadas são tomadas por sacos e resíduos sem coleta suficiente. Assim, mesmo com caixas compactadoras e ecopontos espalhadas por diferentes localidades, o número de equipamentos se mostra insuficiente para a quantidade de lixo produzido diariamente.

Mesmo com caixas compactadoras e ecopontos espalhadas por diferentes locais, ainda é insuficiente para a quantidade de lixo jogado. Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Moradora da Alvorada, Praça do Sagaz, Diane da Silva explica que a centralização sufocou o espaço e que os garis da Comlurb não dão conta de tanta demanda. “O caminhão retira todos os dias, mas devido ao fechamento do local que havia próximo à Rua Dois, a quantidade de lixo descartado aqui aumentou. Principalmente domingo à noite, isso aqui fica horrível, uma mistura de lixo e entulho. Ficam dois rapazes da Comlurb em turnos diários na tentativa de se organizar, mas mesmo assim não dá vazão devido à grande quantidade de lixo despejada”, relata. 

Já a Dona Maria Conceição Amaro, do Teleférico do Alemão, que mora bem em frente a um desses locais de descarte, relata a dificuldade do dia a dia. “Moro na frente da caixa compactadora, estão acumulados porque não tem espaço para tanto lixo neste lugar. Há ratos, muitas moscas e caramujos, moradores em situação de rua também fazem muita sujeira. Além disso falta conscientização porque até bichos mortos colocam aqui e ninguém aguenta o mau cheiro”, desabafa. Para ela, a Comlurb deveria “Tirar os lixos mais de uma vez por dia, e colocar mais caixas compactadoras de lixo”.

Dona Maria Conceição Amaro mora bem em frente a um desses locais de descarte e relata a dificuldade do dia a dia
Crédito: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Zilda Oliveira, dona de uma loja de cosméticos na mesma região, ressalta que a quebra de um cronograma fixo de coleta e a falta de espaço nas caixas geram prejuízos para todos. “Antes a coleta tinha dias certos: segunda, quarta e sexta. Agora o povo joga a qualquer hora porque o espaço é muito pequeno para a quantidade de lixo dessa comunidade tão grande”, explica.

Embora o Complexo do Alemão conte com atendimento regular de limpeza urbana, o crescimento da geração de resíduos e o descarte fora dos locais e horários adequados têm criado pontos críticos em algumas microáreas. Após vistoria técnica, a Comlurb anunciou medidas imediatas para reforçar a operação e ampliar a eficiência dos serviços nas regiões mais impactadas.

Na Praça do Cruzeiro, moradores relatam que o acúmulo de lixo transborda constantemente e cobram um projeto que amenize os impactos e proteja as residências vizinhas. Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

A reportagem acompanhou no dia 27 de maio a vistoria nos pontos críticos da Canitar, Alvorada, Fazendinha e Baiana que uniu lideranças locais e o poder público. O percurso foi liderado pela direção da Comlurb, representada pelo presidente Renato Rodrigues, o diretor de Limpeza Urbana, Alexandre Campos, e o gestor regional Maycon Brum, acompanhado por João Drumond, fundador do Instituto Imperatriz. Diante do lixo que transbordava nessas localidades, a cúpula da companhia ficou impressionada com o acúmulo em áreas consideradas críticas.

O presidente Renato Rodrigues garantiu que a empresa vai agir rápido nas áreas mapeadas pelo jornal. “O descontrole na geração de resíduos é inevitável quando há um descompasso na rotina, mas nós vamos atuar de forma estruturada nas microáreas mais críticas”, afirmou. No último sábado do mês de maio, foi realizada uma limpeza geral no Morro da Baiana.

Quanto aos transtornos causados em quem vive e trabalha perto do teleférico, o chefe da companhia pediu um voto de confiança. “Peço aos moradores da Alvorada que aguardem. Quando menos esperarem, esses pontos também receberão ações fortes da Comlurb”, assegurou Renato.

Inauguração do Ecoponto esta semana

Nesta quinta-feira (11), às 10h, acontece a inauguração de um novo Ecoponto na Entrada da Alvorada, s/n (Rua das Torres), Complexo do Alemão pela Comlurb e a Gerência Executiva Local Complexo do Alemão (GEL Alemão). Será um espaço para o descarte correto de materiais recicláveis pelos moradores.