Há 10 anos resistindo na Cidade de Deus, Zona Sudoeste do Rio, projeto Basquete CDD não apenas ensina fundamentos do esporte, mas também lapida talentos e oferece direção para crianças e jovens. Entre conquistas e desafios, enfrenta a cada verão o mesmo dilema: manter vivo o sonho em quadras abertas, sob sol escaldante ou chuva intensa. Sem cobertura, a quadra vira uma “chapa quente” em dias de calor ou um espelho d’água em dias de chuva, e o sonho de ser um profissional do esporte fica, literalmente, ensopado.
Para os alunos, o basquete não é apenas lazer; é a chance de mudar de vida. Inspirados por grandes ídolos, meninos e meninas driblam as dificuldades para não faltar aos treinos, mas a ausência de teto é um adversário desleal.
“Teve uma vez que a gente estava treinando, aí começou a chuviscar, a quadra ficou totalmente lisa, quando eu fui fazer uma bandeja, eu caí, bati o joelho, já caí diversas vezes com o joelho no chão. Isso é muito ruim.” Conta Ana Luisa, aluna do projeto.
Entre o temporal e o sol de 40 graus, o sonho do basquete resiste como pode. Sem o abrigo de um teto, as crianças enfrentam um dilema desumano: ou param pela chuva, ou passam mal sob o sol forte, restando apenas o anoitecer para treinar com segurança.
“Quando está muito sol, a gente não consegue treinar, a gente espera anoitecer. Impossível treinar à tarde com o sol na cabeça. A gente sente tontura, muito suor escorrendo no rosto, boca seca e com risco de desmaiar.” diz Poliana, aluna atleta.




A Barreira do Descaso
A luta pela cobertura da quadra não é de hoje. Há anos, a coordenação do projeto e os moradores buscam apoio do poder público e de parceiros para garantir que o treinamento não dependa da previsão do tempo. Além do risco de com as mudanças de temperatura, a exposição constante ao tempo degrada o material que a iniciativa possui.
O treinador Fábio explica que o projeto é uma engrenagem de cidadania. “Atendemos 60 crianças de 6 a 17 anos, e a exigência é que todos estejam estudando. Estamos no país do futebol, mas essas crianças amam o basquete. Somos uma equipe de quatro pessoas: o mestre Henrique, eu, Luana e Jobson. Nosso sonho é encaminhar esses jovens e ver sair da CDD um novo astro do basquete.”
Resistência e Esperança
Apesar das poças e do asfalto quente, o Basquete CDD não recua. A reivindicação da favela é por dignidade: o esporte é ferramenta de sobrevivência e transformação. O projeto prova, a cada arremesso, que o talento na Cidade de Deus é grande demais para continuar desprotegido.
