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Projeto de jiu-jítsu atende 150 crianças e revela nova geração de meninas medalhistas

Das medalhas de ouro ao sonho da casa própria, o projeto oferece novas perspectivas de vida para crianças e adolescentes da comunidade do Jacarezinho e região

Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades
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No tatame do projeto ADR Jiu-Jitsu, o futuro é feminino e dourado. Atendendo crianças da favela do Jacarezinho e região, na Zona Norte do Rio, o grande destaque do projeto hoje são as meninas colecionadoras de medalhas, que transformam a disciplina dos treinos em conquistas reais em competições por todo o estado. Mais do que atletas, essas jovens tornaram-se referências de superação, provando que o jiu-jitsu é uma ferramenta poderosa de empoderamento. Com foco e resiliência, elas sobem ao pódio não apenas para buscar metal, mas para mostrar que o talento feminino não tem limites.

A determinação dessas jovens atletas ganha um rosto e uma voz na pequena Lorena Mello. Com apenas 9 anos, ela já entende que cada treino do projeto  é um degrau para a vida que deseja construir. “Meu sonho no Jiu-Jitsu é ser campeã nos em diversos campeonatos e ter tudo de bom para a minha vida. Ganhar dinheiro com o jiujtsu e comprar uma casa, quero ter tudo de bom, ter o meu dinheiro certo e trabalhar.” , afirma Lorena com a clareza de quem já aprendeu o valor da disciplina.

Imagem: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades

À frente do projeto, o Professor Mingau coordena uma iniciativa de impacto impressionante, atendendo hoje entre 140 e 150 crianças e adolescentes moradoras da favela do Jacarezinho e entorno. Além do jiu-jitsu, o projeto oferece judô com um corpo docente de elite, contando com o Mestre Vaguinho e o Sensei Aurélio, este último campeão mundial e integrante da seleção olímpica. Curiosamente, o protagonismo feminino é a marca registrada do tatame: são cerca de 60 meninas treinando arduamente. O resultado dessa dedicação é visível nas competições, onde o índice de aproveitamento é altíssimo: das 140 crianças, a expectativa é de que pelo menos 80 já sejam medalhistas.

Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades

Aos 14 anos, Ana Clara é a prova viva de que o projeto ADR Jiu-Jitsu é um lançador de foguetes para o mundo. Com o olhar fixo no topo, ela não esconde que seu maior foco. “Quero conquistar o título de campeã mundial e levar minha luta para arenas internacionais e Fora do Jiu-Jitsu eu quero ser da Marinha”, revela a jovem.

Por trás da viabilidade e do crescimento do projeto, está a liderança de Chico Melo, um articulador dedicado a transformar realidades através do esporte e da gestão social. Mais do que um apoiador, Chico é o pilar que busca conectar os talentos da periferia a oportunidades concretas, garantindo que o projeto tenha a visibilidade e o suporte necessários para continuar operando. E para manter esse motor funcionando, o projeto enfrenta desafios estruturais.

Atualmente, o trabalho depende inteiramente do esforço voluntário de três mestres faixas-pretas que se revezam para garantir que nenhuma criança fique sem aula. Segundo Mingau, embora a estrutura física seja razoável, falta o suporte financeiro é o grande oponente. “O que a gente precisa realmente é de uma ajuda financeira para pagar e estimular o professor a vir dar o treino”, explica o coordenador, ressaltando que o maior compromisso é evitar a decepção de uma criança chegar ao treino e não encontrar seu mestre.

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