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Projeto de Beach Tennis tocado por morador do Vidigal dá oportunidades para jovens se profissionalizar

A modalidade esportiva que vem ocupando espaço deixado pela ausência do Poder Público
Foto: Igor Albuquerque / Voz das Comunidades

O tênis de praia, também conhecido como seu nome em inglês beach tennis, é um esporte que foi criado a partir do frescobol e que foi incrementado na Itália, mais precisamente na província de Ravena, na década de 1980. Hoje já existem mais de um milhão de praticantes espalhados pelo mundo. O órgão internacional que é responsável pela modalidade é a ITF – International Tennis Federation (a mesma que é responsável pelo tênis convencional) que realiza diversos campeonatos pelo mundo todo e divulga periodicamente o ranking dos atletas.

Beach tennis no Brasil

O beach tennis chegou ao Brasil em 2008 através de uma iniciativa de Leopoldo Correa e Adão Chagas. Uma das pioneiras da modalidade no Brasil foi a tenista Marcela Evangelista. 

Diversas cidades brasileiras já se tornaram referência na prática do Beach Tennis: Rio de Janeiro, Santos, Fortaleza, Vitória, Vila Velha, Balneário Camboriú, Porto Alegre, Mogi das Cruzes, Guarujá, João Pessoa, Novo Hamburgo (RS), Natal (RN), Maceió (AL), Cachoeiro de Itapemirim,(ES), Marataizes(ES), Porto Seguro, Campinas e Araraquara; e muitas outras estão cada vez mais conquistando seu lugar no esporte, como por exemplo Belo Horizonte e Brasília.

Hoje o Brasil já é a segunda potência no esporte (ficando atrás apenas da Itália). No Ranking Mundial (ITF) as líderes do ranking feminino são as brasileiras Joana Cortez e Samantha Barijan. No masculino os italianos ainda detém as primeiras posições, mas o Brasil surge logo em 3° com Vinícius Font, em 9° com Marcus Ferreira e Thales Santos, e fechando o Top 20 ainda tem Guilherme Prata atualmente em 13°.¹

Outro grande passo no desenvolvimento do Beach Tennis no Brasil foi a criação da AJB (Associação dos Jogadores de Beach Tennis), que reúne diversos atletas e visa à defesa dos interesses dos praticantes, tendo como foco a criação de um sistema onde os jogadores possam alcançar o maior grau de prazer e satisfação, pessoal e coletivo, com respeito ao próximo e dentro das regras em vigor.

O beach tennis chegou ao Brasil em 2008 através de uma iniciativa de Leopoldo Correa e Adão Chagas. Uma das pioneiras da modalidade no Brasil foi a tenista Marcela Evangelista.

A modalidade logo fez grande sucesso entre os cariocas que tem uma cultura muito ligada à praia e às modalidades esportivas praticadas nesse ambiente. Essa particularidade fez com que muitos adeptos do “Tênis de Quadra” vissem na chegada do esporte a possibilidade de unir a sua paixão pelas quadras de saibro com o seu lazer à beira-mar e não demorou muito para que acontecesse um verdadeiro “êxodo” das quadras para as praias.

Como consequência dessa migração de atletas, ocorreu também a migração de profissionais, muitos que já trabalhavam com Tênis e outros que buscavam uma oportunidade de trabalho. 

O Vidigal não fica de fora do esporte

Os moradores do Vidigal, que é uma comunidade que já tem também essa cultura de praia e, por estar na Zona Sul (onde estão localizados os grandes clubes), também abriga diversos profissionais ligados ao Tênis, rapidamente se adaptou para aproveitar os benefícios que viriam com a massificação desse novo esporte. muitos professores, boleiros e outros profissionais viram na praia uma oportunidade de trabalho melhor sem os intermediários que controlam os setores de tênis dos grandes clubes.

Gerardo Araújo encontrou no Beach Tennis a chance de retribuir tudo de bom que o esporte lhe proporcionou Foto: Igor Albuquerque / Voz das Comunidades

Um desses profissionais é o professor de “Beach Tennis”, Gerardo Araújo Filho, 48 anos, natural de Fortaleza/ CE, ele é o fundador e administrador do Centro de Treinamento “São Conrado Beach Tennis”. Gerardo veio para o Rio, na década de 1980, com o pai, que buscava uma oportunidade de trabalho, e firmou residência no Vidigal. Através de um amigo começou no tênis ainda criança, como boleiro no Clube Caiçaras (espécie de gandula do tênis), onde ficou por um tempo. Depois teve que sair de lá e acabou indo trabalhar na AABB (Associação Atlética Banco do Brasil).

Depois de mais algum tempo, retornaria ao Clube Caiçaras, onde havia conhecido o tênis, já como professor e conheceu o Beach Tennis. A partir daí, começou a jogar profissionalmente e surgiu a ideia de dar aulas da modalidade em São Conrado. Durante o tempo que jogava profissionalmente conheceu um (futuro) aluno que morava no bairro – na época quase ninguém conhecia o esporte – e assim foi até um clube de voo livre que existe, onde tinha uma quadra, para começar a dar aulas.

Com o passar do tempo conheceu mais dois alunos, que também moravam nas proximidades e ajudaram a levar o esporte, até então desconhecido, para as areias da praia. Em decorrência disso, fizeram vários torneios e levaram várias pessoas para trabalhar no projeto e isso transformou o Beach Tennis numa realidade na praia de São Conrado.

Nesse momento Gerardo teve a oportunidade de retribuir tudo que conseguiu através do esporte dando a oportunidade para outros meninos, que assim como ele, precisavam de uma chance de aprender uma profissão e ainda levar uma ajuda para o sustento da casa.

Galera do Centro de Treinamento São Conrado Beach Tennis
Foto: Igor Albuquerque / Voz das Comunidades

“Trazer esses meninos para nos ajudar na praia para mim é uma forma de retribuir tudo que o Esporte trouxe de bom para a minha vida. Se hoje eu tenho uma profissão que me proporciona uma vida boa, se hoje eu ganho meu sustento fazendo o que eu amo, é  porque alguém me deu uma oportunidade e nada é mais justo do que fazer o mesmo para esses meninos novos também”, disse Gerardo.

Um desses meninos foi Jeferson Gomes de Lima, de 21 anos, cria do Vidigal, que hoje é Atleta Profissional de Beach Tennis e também professor da modalidade. Antes da modalidade aparecer na vida de Jeferson ele jogava Tênis de Quadra, desde os 6 anos de idade (A maior parte da sua  família era e são professores de Tênis até hoje). O menino que praticamente “nasceu” segurando uma raquete, foi ao longo dos anos “entrando” para o mundo do Beach Tennis , levado pelo seu pai, Júlio César Lima, que foi convidado pelo fundador do “point” em São Conrado, Gerardo Araújo, para dar aulas no CT.

“Meu pai sempre me chamava para jogar e eu nunca queria. Até que um dia eu fui fazer uma aula com ele. Depois desse dia eu comecei a gostar muito desse esporte.

Comecei a treinar quase todos os dias com meu pai e a galera de São Conrado. Passou um tempo e meu pai me perguntou se eu queria ser boleiro do point. Na mesma hora eu topei e fui pra cima.”, contou o jovem atleta e professor.

Depois de um tempo o promissor atleta, assim como Gerardo, teve uma também oportunidade de migrar para outro centro de treinamento, onde buscou sua capacitação para também dar aulas da modalidade, Essa fase foi importante para que pudesse, além de jogar, conseguisse obter uma renda com o esporte. Foi daí que começou a competir, fazer muitas amizades e também conheceu a namorada (estão juntos há três anos).

“Se não fosse pelo Beach Tennis e meu pai, isso tudo não teria acontecido.

Hoje em dia sou professor e atleta profissional”, finalizou.

Num lugar tão carente de políticas públicas eficientes, necessárias para uma boa formação e inserção dos jovens no mercado de trabalho, como nas comunidades carentes e periferias, as modalidades esportivas são uma alternativa para que jovens tenham uma vida digna. Muito do sucesso obtido por esses jovens se deve a iniciativas como essa.

Além de ser um esporte fácil de aprender, o Beach Tennis também traz vários benefícios para a saúde física e mental.

Veja alguns:

  1. Melhora o condicionamento físico;
  2. Ajuda a fortalecer as pernas, braços e abdome;
  3. É mais vigoroso do que o tênis convencional. Em média, uma aula intensa pode gastar cerca de 500 calorias em uma hora;
  4. Tem um clima descontraído, da praia. É ótimo para quem quer praticar um esporte aos finais de semana para relaxar;
  5. Pode ser praticado por pessoas de todas as idades, incluindo crianças e idosos.

Sem dúvida, o Beach Tennis é uma ótima modalidade para quem quer emagrecer, cuidar da saúde ou simplesmente ter um tempo de lazer com a família e os amigos. Quer começar a jogar ou trabalhar com Beach Tennis? Então, procure pelo perfil do Centro de Treinamento “São Conrado Beach Tennis” no Instagram e marque sua aula.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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